Mineiros foram escalados para festival de cultura brasileira ao lado de Gil, Bethânia, Tom Zé, entre outros grandes nomes.
Destaque da nova música brasileira, a banda Porcas Borboletas carimba o passaporte e parte para sua primeira turnê internacional, em Londres. Os mineiros foram escalados para o Brazil Festival Southbank Centre, evento do Centro Cultural Southbank que promete ser o maior festival de cultura brasileira realizado na Grã-Bretanha.
Os mineiros apresentam aos londrinos, no dia 16 de julho, a inventividade do elogiado segundo disco, A Passeio, que passeia pelo rock e pela música brasileira de diferentes gerações. A irreverência e a performance que marcam as apresentações do grupo ao vivo serão somadas ao talento de Arnaldo Antunes, convidado especial, que canta com o grupo a música “EU”, poema de Antunes com arranjos do Porcas Borboletas.
“A sensação é avassaladora. É a mistura de muita coisa ao mesmo tempo: tocar com o Arnaldo, participar de festival com uma programação de altíssimo nível, sair do Brasil pela primeira vez e de cara num contexto desse”, comenta o vocalista Banzo. O convite para participar do Brazil Festival veio através do produtor londrino Lewis Robison que visitou o país no final do ano passado procurando talentos para uma coletânea do seu selo Mais um Disco e indicou o grupo à curadoria do festival.
A passagem dos mineiros por Londres continua até 18 de junho quando integram a programação do Lovebox Weekender Festival (www.lovebox.net ), em pleno Victoria Park no dia que o evento celebra as novidades da nova música sul-americana em clima de “Viva La Festa”.
Brazil Festival Southbank Centre – Brasil além do Carnaval e Futebol. Esta é a aposta da diretora artística do festival, Jude Kelly, que acredita neste evento como um dos maiores da cultura brasileira na terra da rainha. A idéia do evento é pescar talentos de diversas modalidades artísticas e apresentá-los aos londrinos que passarem pelo Centro Cultural Southbank entre os meses de julho e setembro.
Além da Porcas Borboletas, entre os artistas já confirmados encontram-se Gilberto Gil, Maria Bethânia, Tom Zé, Os Mutantes, AfroReggae, o artista plástico Ernesto Neto, os irmãos quadrinistas Fábio Moon e Gabriel Ba, o ex-jogador de futebol e escritor Sócrates, o designer Gringo Cárdia e os irmãos designers Fernando e Humberto Campana. A programação completa do festival está no site do Centro Cultural Southbank - www.southbankcentre.co.uk .
Porcas Borboletas em Londres
# Brazil Festival
16 de julho |South Bank Centre. Belvedere Road. London. SE1 8XT
Espalhados pelos quatro cantos do país, uma rede de produtores, artistas e divulgadores possibilita a circulação de shows e discos de bandas independentes durante todo o ano, da Amazônia aos pampas gaúchos. Os tentáculos do Fora do Eixo - criado no final de 2005 e que hoje inclui 59 festivais, 46 veículos de comunicação independentes , além de moedas complementares como Cubo Card e Goma Card – agora se estendem a capital paulista na forma de festival que pretende mostrar a força de expressões artísticas p roduzidas longe das metrópoles – e que têm ganhado projeção e reconhecimento nacional.
Durante cinco dias, o público paulistano poderá conferir apresentações de nomes celebrados como Macaco Bong (Mato Grosso), Burro Morto (Paraíba) e Porcas Borboletas (Minas Gerais), ao lado de novas promessas - entre elas, Nevilton (Paraná), Mini Box Lunar (Amapá) (foto), Caldo de Piaba (Acre), Calistoga (Rio Grande do Norte) e Facas Voadoras (Mato Grosso do Sul). Reforçam a escalação do Festival Fora do Eixo (festival.foradoeixo.org.br) convidados ilustres, como Jards Macalé, Cabruêra (Paraíba) e Canastra (Rio de Janeiro).
As apresentações acontecem de 6 a 11 de abril , nas principais casas de show da cidade. Também integram a programação workshops, espetáculos de teatro e intervenções artísticas realizadas nas ruas e em locais que vão sediar o Festival. Após a etapa paulistana, o Festival segue com alguns shows no interior do estado e, em maio, aporta no Rio de Janeiro. As datas, locais e atrações serão anunciadas no site www.festival.foradoeixo.org.br.
PROGRAMAÇÃO:
Terça, 6 de abril, às 20h MINI BOX LUNAR + JARDS MACALÉ
Itaú Cultural - Avenida Paulista, 149, Bela Vista
Grátis
Quarta, 7 de abril, a partir das 23h MACACO BONG + CALDO DE PIABA
Studio SP - Rua Augusta, 591
Ingressos: R$ 20 (porta) e R$ 15 (lista)
Quinta, 8 de abril, a partir das 23h BURRO MORTO + CABRUÊRA
Tapas Club - Rua Augusta, 1.246, Consolação
Ingressos: R$ 15 (porta) e R$ 10 (lista)
Sexta, 9 de abril, a partir das 23h NEVILTON + CIRCO VIVANT
Livraria da Esquina "A" - Rua do Bosque, 1.254, Barra Funda
Ingressos: R$ 10
Sábado, 10 de abril, a partir das 23h CALISTOGA + SWEET FLAVOUR
Livraria da Esquina "B" - Rua do Bosque, 1.236 – Barra Funda
Ingressos: R$ 10
Domingo, 11 de abril, às 16h PORCAS BORBOLETAS
Centro Cultural Rio Verde: Rua Belmiro Braga, 119 – Vila Madalena
Ingressos: R$ 10
Programa para hoje, quarta-feira. Seguindo a temporada na Livraria da Esquina, o pessoal do Homem Invisível recebe no palco Pélico. O Homem Invisível, que classifica seu som como uma "colisão de estilos", está chamando atenção de público e crítica desde o lançamento de seu primeiro trabalho, no ano passado. Pélico já é figura conhecida dos palcos da cidade e é parceiro de selo do Homem Invisível, ambos lançados pela Monga Records. A discotecagem na noite fica por conta do DJ André Girardi.
Serviço:
Homem Invisível e Pélico
Livraria da Esquina
Rua do Bosque, 1254 - Barra Funda
Quarta-feira, 24/03, 21h30
Entrada: R$10,00
Em Campinas hoje é dia do Porcas Borboletas e do Aeromoças e Tenistas Russas continuarem com sua tour. Eles tocam no Bar do Zé, em Barão Geraldo. O Porcas Borboletas está sempre nos nossos textos, banda querida que dispensa apresentações. E vindos de São Carlos, o Aeromoças e Tenistas Russas coloca todo mundo para dançar com seu som que passeia por estilos cheios de groove sem tirar um pé do rock. A abertura da noite fica por conta do pessoal do The Baggios.
Serviço:
Porcas Borboletas e Aeromoças e Tenistas Russas
Bar do Zé
Av. Albino JB de Oliveira, 1325 - Barão Geraldo - Campinas
Quarta-feira, 24/03, 22h
Entrada: R$5,00
Um dia ainda vamos virar a agenda oficial do Porcas Borboletas, pelo menos para os shows em São Paulo. Mas não é por menos, somos confessos admiradores da produção do grupo. Mais de uma vez suas músicas foram tema de análises do Rogério e acompanhamos seus shows, cada vez mais vigorosos.
Desta vez, no SESC Santana, vão estar em seu ambiente natural, um teatro, em que vão ter olhos e ouvidos atentos ao que estão produzindo no palco.
Não preciso repetir o que já foi dito sobre o grupo aqui ou aqui, então aproveitem o que eles têm a dizer:
Porcas Borboletas no SESC Santana - Ácidos e Agudos
C/Stereo Tipo
Sexta-feira, 26/02, 21h
Av. Luis Dumont Villares, 579 - Santana
Entrada: R$8,00 (inteira), R$4,00 (estudantes, usuários matriculados, maiores de 60 anos, professores da rede pública), R$2,00 (trabalhadores do comércio e serviço matriculados)
E para quem pegar esse posta ainda hoje (quarta-feira) e quiser dar um pulo na USP, tem show gratuito do Móveis Coloniais de Acaju às 20h30. Vambora?
Móveis Coloniais de Acaju
Quarta-feira, 24/02, 20h30
USP - Praça do Relógio
Av. Prof. Almeida Prado, 1280 - Butantã
Gratuito
O carnaval começa hoje, e hoje já dormi irritado com um vizinho da rua de baixo, que ouviu samba a noite toda. Não tem jeito: quem mora no Brasil tem de aceitar que é quase impossível fugir de carnaval e futebol. Gostemos ou não, temos de entender que essas são duas de nossas maiores manifestações culturais. Aliás, já me meti aqui – apesar de essa não ser a minha especialidade – a analisar o samba-enredo “Vai Passar”, de Chico Buarque. Também já usei o carnaval pra pensar um pouco a respeito de canções de 365 e de Visitantes. Tentativa de relacionar a maior festa popular do Brasil – que, em boa medida, já está pasteurizada pelas transmissões de tv – com o melhor da MPB e do rock paulistano.
Mas acordei consolado, porque hoje à noite acontece o Grito Rock São Paulo, no Studio SP, com dois espetáculos antológicos: shows de Macaco Bong e Porcas Borboletas.
Quem acompanha este blog, sabe que já escrevi três textos sobre o Porcas: um sobre o primeiro trabalho deles, um sobre a canção “Menos” e outro sobre um show que fizeram no mesmo Studio SP, em 2009. Sobre o Macaco Bong, escrevi um no mês passado, que estourou de acessos.
Talvez a gente se esqueça de que a nomenclatura “Grito Rock” remete aos “gritos de carnaval” – aqueles blocos que saem antes dos dias oficiais do feriado, excitados pela proximidade da festa. Não sei se o nome “Grito Rock” foi, no nascedouro, inspirado em uma certa resistência à alienação inerente ao carnaval. É desnecessário retomar o debate aqui: o carnaval seria, numa determinada linha de raciocínio, o feriado que serve para a população, de todas as classes sociais, alienar-se da realidade, mergulhar na cerveja, nos lolós e nas músicas fáceis. Por outro lado, o rock seria um gênero mais radicalmente ligado à contestação. Deixando de lado exageros e sectarismos, tudo isso tem muito de verdade. Mais ainda: na história da canção brasileira, cada vez mais os lançamentos de carnaval têm aquela feição repetitiva, que enjoa, feita pra “tirar o pé do chão”, na euforia gratuita, de massas, completamente vazia, meramente festiva... por quê?
As bandas independentes têm papel relevante nesse contexto, por meio do Grito Rock – principalmente se considerarmos que ele é, de certa forma, uma contestação, não ao carnaval em si, mas ao modelo de mercado que ele ajuda a sustentar. Mas aí entramos na questão delicada, aquela que me levou a escrever este texto: falta, muitas vezes, uma definição precisa de o que é ser independente.
E aqui vou insistir em meu estudioso preferido: Luiz Tatit (na foto à direita), cujo grupo Rumo foi um precursor dos independentes de hoje. No artigo “Antecedentes dos independentes”, de outubro de 1984, que hoje pode ser lido no livro Todos Entoam, o compositor e professor da USP revê a história da canção brasileira sob uma perspectiva bastante curiosa: as relações entre função técnica (técnicas de gravação, reprodução, divulgação, etc) e função artística. Para ilustrar: no início do século XX, os cantores tinham de ter vozes potentes para que as gravações tivessem mais qualidade, devido à precariedade dos processos de gravação.
Pois bem: pra resumir bastante – insisto aqui que todo mundo que trabalha com música tem de ler o texto integral do Tatit –, com a evolução das tecnologias, as duas funções tiveram maior ou menor proximidade, de acordo com o gênero musical, com a faixa de público atingida e com a época. Avaliando o movimento independente da década de 80, em São Paulo, chamado tradicionalmente de Vanguarda Paulista, associada ao próprio Rumo e a Itamar Assumpção, Tatit afirma o seguinte:
Como essas empresas [as grandes gravadoras] invadiram o domínio artístico assumindo também suas funções (visando maior controle do produto), esses artistas [independentes] embora em proporção infinitamente menor, passaram a acumular em ampla escala a função técnica, território inviolável das gravadoras.
Trata-se, com as diferenças acentuadas pelos progressos tecnológicos de trinta anos, exatamente do processo que vivemos hoje em escala acentuada. E depois, ainda diz o seguinte:
Daí decorre a noção de artista independente. Ao invés de permanecer à espreita de oportunidades ou de se submeter a julgamentos, quase sempre humilhantes, por parte dos empresários-produtores, o artista percorre toda a trajetória da produção e da divulgação do disco, enfrentando toda sorte de obstáculos, pagando todos os custos, para no final concluir que o preço de seu LP não saiu tão caro (principalmente se comparado a produções de áreas vizinhas como o cinema, por exemplo), a técnica empregada não foi tão complexa e a distribuição e divulgação em escala modesta foram suficientes para o reembolso do capital inicial.
Impressionante que o texto tenha sido escrito há mais de vinte e cinco anos. O artista independente continua sendo aquele que não aguarda as oportunidades e acumula as funções técnica e artística – gozando de total liberdade de criação. Por outro lado, as possibilidades infinitas de gravação que o desenvolvimento tecnológico trouxe nas últimas duas décadas talvez tenham gerado uma oferta excessiva – para usar um termo mercadológico – de produções artísticas, o que resulta em concorrência violenta. O Toque no Brasil e o Grito Rock são exemplos disso: centenas, talvez até milhares de bandas pelo Brasil, disputando um lugar ao sol, dispostas a mostrar o trabalho por pouca ou nenhuma remuneração.
Não pretendo avaliar esse cenário de forma aprofundada, nem prever os rumos que o mercado da música independente tomará. Mas é importante analisar alguns detalhes.
O primeiro, que me parece fundamental, é de ordem estética: a efervescência da cena musical independente dá voz a propostas musicais ousadas. Se quisermos, dá o direito ao grito (rock) de que falava o narrador de A Hora da Estrela, de Clarice Lispector. Bandas independentes como Macaco Bong e Porcas Borboletas – só pra citar as duas que gritam rock hoje à noite – criam trabalhos conceituais, artisticamente ousados, que passam longe dos produtos pasteurizados das FMs e das trilhas de novelas. Mais do que isso: a difusão de propostas como essas contribui no processo de formação do público, invertendo a chave dos grandes meios de comunicação. Em palavras bem simples: a aceitação cada vez maior de bandas como Macaco e Porcas desbanca a ideia de que “o público que se divertir, dançar e cair de bêbado, sem pensar” – justificativa dos mais conservadores para a produção do lixo musical que nos agride os ouvidos.
Segundo detalhe: quero acreditar que, com o tempo, o público saiba diferenciar, com base no processo formativo que vem experimentando agora, as bandas independentes de projetos ousados das que, embora independentes, apenas repetem o modelo de “sucesso” (que também está em xeque) das grandes gravadoras. Mas não posso acreditar que a indústria fonográfica não tenha se dado conta das alterações que o mercado de música vem sofrendo. Nem tenho tanta fé na humanidade a ponto de acreditar que, no futuro, só vingarão bandas de propostas ousadas. Nem acho que isso seja saudável: a canção, ao longo de todo o século XX, foi feita para consumo. Em teoria, não acredito que seja um problema a existência dos produtos pasteurizados do mercado – todos queremos dar uma chutada no balde de vez em quando, quando a vida está difícil, e não queremos pensar em nada, só curtir. Mas acredito que seja grave que proposta ousadas esteticamente não tenham o espaço e o investimento que merecem.
Daí ao terceiro detalhe: pouco vale uma proposta estética ousada se aqueles que a criaram não tiverem chances de dar-lhe continuidade. Atualmente, as bandas têm se virado com cachês apertados, incentivos públicos e algum apoio isolado da iniciativa privada. Empregos fixos, que nada têm a ver com música, são uma alternativa para muita gente. Com sorte, surgem empregos que dialogam, em alguma medida, com a música. Mas a verdade é que, apesar de o estarmos construindo, ainda não alcançamos – nem sabemos exatamente o que virá a ser – o mercado (não apenas a cena) independente de música, em que músicos e profissionais da área de música independente tenham uma remuneração digna e possam dedicar-se a seu trabalho: a integração equilibrada entre as funções artística e técnica.
Então está confirmado, com flyer e tudo: Grito Rock São Paulo 2010 acontece em 12 de fevereiro, no Studio SP, com Macaco Bong e Porcas Borboletas. A notícia é um alento para a cena independente de São Paulo. Macaco Bong foi assunto aqui no blog na semana passada, num dos nossos posts mais acessados; várias canções do Porcas também já foram analisadas aqui. Vai ser uma noite daquelas. Durante a semana, debatemos mais a novidade.
A dita cena independente musical é uma colcha de retalhos. Se formos parar para analisar, até mesmo o esse tal "independente" é fruto das mais ferrenhas discussões. Tem gente que adora dizer que é indie, tem gente que tem nojo, e os dois agem da mesma forma.
Faz algum tempo que começamos a pensar nos elos da cadeia produtiva dentro da produção musical independente, e em conversas com artistas, público, produtores, selos, donos de casas de shows, entre tantos outros, percebemos que não podemos nem começar a pensar em um mercado independente. Isso não existe, é lenda, mito. É mais provável que alguém me convença da existência da Iara do que desse mercado. E por isso eu sempre falo em "cena independente". Não é mercado por diversos motivos. Primeiro, a cadeia produtiva não se fala, não troca experiências e informações. Segundo, não existem dados sobre público, consumo, produção, faturamentos. Terceiro, falta profissionalização e profissionalismo. Esse último nem é tão problemático, profissionalismo falta em qualquer setor, em maior ou menos escala. Mas sem profissionalização, não existe setor que se sustente. Quarto, os produtores dos bens que são consumidos, esse pessoal que chamamos de "artista", não possuem projetos sustentáveis e normalmente são vistos como fonte de exploração. Mas se eles mesmos não se preocupam com isso, como estranhar essa atitude dos demais? Bom, por aí vai...
Aí me perguntam, "então por que raios você trabalha com isso?"
Eu nunca consegui uma resposta racional. Acho que talvez seja por que isso é o que eu faço de melhor, talvez por uma antiquada ideologia, por achar que ainda dá para mudar as coisas, ou ainda pode ser porque eu quero que se meu filho resolva ser músico ele encontre um lugar que o receba melhor.
Foi com muita alegria que recebi o convite do amigo Roger Deff, que conheci em uma das palestras que eu dei. Ele me mandou algumas perguntas para que eu respondesse e ajudasse em um de seus artigos, que pode ser lido na íntegra aqui. Suas perguntas mostram uma clareza frente a alguns dos problemas que os artistas e produtores encontram e despertaram a vontade de tentar passar para frente algumas das elucubrações que temos nos permitido por aqui, não com o objetivo de converter e evangelizar, mas para imbuir naqueles espíritos mais agitados a vontade de debater e questionar. Não pretendemos de forma alguma ensinar os caminhos, mas de pavimentarmos em conjunto, afinal se tem algo que está muito certo em torno de toda questão da produção e do mercado musical é que ninguém sabe para onde está indo.
Roger Deff - Há muita discussão sobre como as bandas independentes podem sustentar financeiramente seus trabalhos, já que os festivais difícilmente tem verba disponível para pagar cachê. Quais os caminhos seguidos pelas bandas de Sampa no sentido de buscar formas de viabilizar seus trabalhos? Tiago Barizon - Aqui em São Paulo as bandas estão na mesma correria do que as bandas em outros estados. A busca por esse modelo sustentável não é uma questão regionalizada, mas global. As soluções podem aí sim ser regionalizadas, devido às diferenças culturais, geográficas, demográficas... Um grande erro que eu vejo é a tendência a se prender ou focar os esforços em somente uma "frente de trabalho". Não adianta esperar que somente tocar em festivais, ou somente fazer shows em sua cidade, ou somente tocar em SESCs, vá garantir que o seu projeto seja sustentável. Existe toda uma gama de fontes de geração de renda que precisam ser mais exploradas, como merchandise, venda de cds, licenciamento... Mas esses formatos não dependem somente dos artistas, mas da mobilização de todos os envolvidos na cadeia produtiva para a profissionalização e a articulação. Olhar um pouco para fora do próprio ambiente pode ajudar nessas horas. Eu estou escrevendo um artigo com alguns artistas como Porcas Borboletas, de Uberlândia, e Anacrônica, de Curitiba, para investigar mais esses caminhos. Mas todos passam sem exceção pelo processo de formação de público, que é um constante debate e carente de soluções.
Roger Deff - Na sua opinião, quais as grandes dificuldades encontradas pelos organizadores dos festivais para remunerar as bandas? Explique. Tiago Barizon -Existe aquele festival em que os organizadores e produtores resolvem peitar o desafio e fazer tudo na base de apoios e amizades. Vão atrás de uma loja de instrumentos para conseguir equipamento de palco e PA, a prefeitura para conseguir um espaço para a realização, uma gráfica que possa colaborar com material de divulgação. Esse pessoal faz na garra e muitas vezes não contam com toda a estrutura necessária. Na hora e no afã de ver o festival sair do plano das idéias muitas vezes deixam de calcular se existe uma demanda de público que justifique o investimento todo. Para contornar isso normalmente apelam para a vontade das bandas de divulgar seu trabalho, e muitas acabam topando esse esquema. Não que seja uma atitude errada, mas valendo-se desse esquema de troca por espaço muitas bandas acabam se decepcionando e deixam de incentivar os festivais. Pequenos festivais deveriam focar suas atenções nos artistas locais, em espaços mais controlados, e a partir daí pensar em ganhar escala e visibilidade. Muitos organizadores esperam trazer atrações de outros estados como forma de alavancar o festival, mas aí, além de deixar de ganhar, a banda acaba pagando para tocar, já que vão ter gastos com transporte e hospedagem. No final das contas, esses festivais sofrem com a falta de público (mais uma vez) que são sua única fonte de geração de capital.
Agora existem outros festivais que são patrocinados, muitos por grandes empresas, e que mesmo assim não pagam os artistas. Nesse caso eu só posso analisar de duas formas: falta de planejamento ou falta de respeito. Quando uma grande empresa abre um edital ou então cede patrocínio, entendendo patrocínio como aporte de capital, normalmente isso se dá mediante a análise de um projeto, em que sem exceções devem constar as planilhas orçamentárias. Não conheço uma empresa que investiria dinheiro em ações culturais sem saber para onde ele está indo, como vai ser aplicado. Daí que eu concluo a falta de planejamento, caso o produtor simplesmente esqueça de prever pagamento de cachês, o que provaria a total incapacidade desse sujeito, ou então a falta de respeito, se esse mesmo sujeito já esteja contando com a vontade das bandas de tocarem de graça em troca do tal espaço para divulgação de seu trabalho. Pode-se dizer que essas empresas não pagam 100% do projeto, mas diante de todos os custos cortar justamente o cachê das bandas, que seriam, a princípio, o motivo de se fazer um festival, é um tanto quanto contraditório.
Já vi soluções interessantes, por exemplo festivais que pagavam uma quantidade de acordo com a proveniência das bandas. Para bandas da cidade ou da região era um valor X, para bandas que viessem de locais até 600km era 2X e assim por diante. Cada banda saberia com antecedência o que iria receber e calculava se valeria a pena ou não. Além da transparência, sem brigas porque tal banda ganhou mais ou menos do que a outra.
Roger Deff - Alguns defendem que as bandas estão à procura de espaço e , portanto, não devem ser remuneradas, outros dizem que é um trabalho e como tal deveria receber alguma ajuda de custo. Qual a sua opinião? Tiago Barizon - Você acabou de se formar em jornalismo, toparia trabalhar em alguma redação em troca de currículo, sem ganhar nada? Ou um arquiteto, faria alguns projetos de graça para ganhar destaque? Ou um designer, um fotógrafo...? Acho que por um tempo, em algumas profissões, isso até pode ser planejado, principalmente naquelas que dependem de montar portfolio. Mas não indefinidamente. E todo mundo acha isso natural para os músicos, que eles devem tocar de graça para sempre em troca do tal espaço. E isso acaba virando uma situação default, que ninguém contesta. Todo músico já passou por essa situação. Em uma conversa perguntam o que faz da vida, o cara responde que é músico e recebe um "mas o que você faz para ganhar dinheiro?" Se você é advogado, ninguém pergunta isso. Se você é gari, ninguém pergunta isso. Para o músico perguntam. É sintomático não só de como nos vemos dentro da cena mas de como todos estão nos vendo. E a mudança tem que partir de quem está inserido na cadeia produtiva, de saber se valorizar e valorizar o trabalho dos outros. Eu trabalho hoje em dia somente com isso, minha vida profissional é voltada exclusivamente para a música, então eu sei o duro que é conseguir se posicionar e mostrar que como tal eu tenho que ser remunerado. As fraldas do meu filho dependem disso!
Um cara entra na faculdade de direito, gasta com material, mensalidade de faculdade, rala um tempo para conseguir um bom emprego, gasta com cursos, especializações, viagens para congressos e tudo mais. Por que a forma de lidar com ele tem que ser diferente do que a com que tratamos um cara que começa a estudar baixo desde cedo, compra instrumentos, acessórios, cursa aulas, gasta com ensaios, com viagens para divulgar, material da banda, gravação de cds...?
Roger Deff - Um outro problema a ser analizado é que, na maioria das vezes, quem faz o festival não lucra com isso. Na verdade tem que arcar com gastos e faz mais por paixão mesmo. Você acredita que trabalho conjunto entre bandas e produtores poderia ser uma forma de viabilizar meios sustentáveis para a realização dos eventos? Tiago Barizon - Sem dúvida. Os organizadores dos festivais tem que pensar em formas de multiplicar as ações de divulgação do evento usando todos os meios possiveis. E não adianta só mandar um email falando para as bandas: "divulguem em seu orkut". Tem que pensar em estratégias que façam com que essa multiplicação seja também interessante para as bandas, para que essas realmente se sintam envolvidas. Além de algumas ações básicas, como montar a famosa banquinha de vendas, que pode ajudar financeiramente as bandas. Mas no final das contas o que paga um festival que não tem patrocínio é o público. Aí cabe a cada produtor saber medir seus custos, o público estimado e ver até que ponto vale ou não a pena. E nesse ponto São Paulo não serve muito de indicador. Se pegarmos alguns dos principais festivais independentes do Brasil, dos que contam somente com bandas nacionais, alguns conseguem reunir 1500, 2000 pessoas. Na cidade de São Paulo um evento com esse mesmo formato não conseguiria esse feito.
Roger Deff - Os coletivos surgem dentro de uma lógica completamente diferente da dicotomia produtor/ artista. Fale um pouco a respeito deste sistema de colaboração. Tiago Barizon - Peter Jenner, presidente emérito da International Music Managers' Forum, diz que as duas instâncias que realmente importam em toda a cadeia produtiva da música são o artista e o público. Todos os outros envolvidos só tem razão de existir se for para fazer com que esse diálogo aconteça melhor e com mais fluidez. Não poderia concordar mais. E acho que os coletivos surgem em um momento que precisamos que isso aconteça mais do que nunca. A colaboração de diversos profissionais, das mais distintas áreas, potencializa esse aspecto. Mas temos que ver que os coletivos não nascem e existem somente em função da música. Coletivos podem se dedicar não só às artes, mas à geração de conteúdo, a repensar conceitos de urbanização, à educação... Eu acho que ao começar um coletivo as pessoas tem que pensar mais do que as ações em si, mas nos resultados que querem atingir. E como cada um pode colaborar e pretende se beneficiar deste grupo. Para falar explicitamente do caso dos artistas, eu não acredito que os coletivos devam surgir somente como plataforma de lançamento desses músicos, mas sim que os músicos façam parte de um grupo em que os conceitos e a estruturação de todos os envolvidos facilitem a promoção e divulgação dos trabalhos de cada um.
Existe aquele festival em que os organizadores e produtores resolvem peitar o desafio e fazer tudo na base de apoios e amizades. Vão atrás de uma loja de instrumentos para conseguir equipamento de palco e PA, a prefeitura para conseguir um espaço para a realização, uma gráfica que possa colaborar com material de divulgação. Esse pessoal faz na garra e muitas vezes não contam com toda a estrutura necessária. Na hora e no afã de ver o festival sair do plano das idéias muitas vezes deixam de calcular se existe uma demanda de público que justifique o investimento todo. Para contornar isso normalmente apelam para a vontade das bandas de divulgar seu trabalho, e muitas acabam topando esse esquema. Não que seja uma atitude errada, mas valendo-se desse esquema de troca por espaço muitas bandas acabam se decepcionando e deixam de incentivar os festivais. Pequenos festivais deveriam focar suas atenções nos artistas locais, em espaços mais controlados, e a partir daí pensar em ganhar escala e visibilidade. Muitos organizadores esperam trazer atrações de outros estados como forma de alavancar o festival, mas aí, além de deixar de ganhar, a banda acaba pagando para tocar, já que vão ter gastos com transporte e hospedagem. No final das contas, esses festivais sofrem com a falta de público (mais uma vez) que são sua única fonte de geração de capital.
Agora existem outros festivais que são patrocinados, muitos por grandes empresas, e que mesmo assim não pagam os artistas. Nesse caso eu só posso analisar de duas formas: falta de planejamento ou falta de respeito. Quando uma grande empresa abre um edital ou então cede patrocínio, entendendo patrocínio como aporte de capital, normalmente isso se dá mediante a análise de um projeto, em que sem exceções devem constar as planilhas orçamentárias. Não conheço uma empresa que investiria dinheiro em ações culturais sem saber para onde ele está indo, como vai ser aplicado. Daí que eu concluo a falta de planejamento, caso o produtor simplesmente esqueça de prever pagamento de cachês, o que provaria a total incapacidade desse sujeito, ou então a falta de respeito, se esse mesmo sujeito já esteja contando com a vontade das bandas de tocarem de graça em troca do tal espaço para divulgação de seu trabalho. Pode-se dizer que essas empresas não pagam 100% do projeto, mas diante de todos os custos cortar justamente o cachê das bandas, que seriam, a princípio, o motivo de se fazer um festival, é um tanto quanto contraditório.
Já vi soluções interessantes, por exemplo festivais que pagavam uma quantidade de acordo com a proveniência das bandas. Para bandas da cidade ou da região era um valor X, para bandas que viessem de locais até 600km era 2X e assim por diante. Cada banda saberia com antecedência o que iria receber e calculava se valeria a pena ou não. Além da transparência, sem brigas porque tal banda ganhou mais ou menos do que a outra.
Está de volta a São Paulo a banda Porcas Borboletas - desta vez com o disco A Passeio já em formato físico. Pra quem estiver duro e quiser perder a chance de comprar o disco que é talvez o melhor lançado em 2009, é possível fazer o download clicando aqui.
A banda dispensa comentários. Já escrevi sobre os caras mais de uma vez: no texto mais recente, tentei explicar as sensações de assistir a um show deles; em outro, analisei a canção "Menos", parceria com Clarah Averbuck, do trabalho novo. Mas lembrei que não tinha trazido cá pro blog da Identidade um texto um pouco mais antigo, que eu escrevera para A Métrica do Grito. Segue abaixo.
No texto anterior, a análise de uma canção do Guilhermoso Wild Chicken levou-nos a investigar alguns aspectos de uma tradição bastante forte do rock brasileiro: a irônica, a dos roqueiros nacionais "bocas do inferno". Essa tradição - talvez iniciada pelos Mutantes, exímios ironistas - carece de mais pesquisas, pois não é improvável que a criação de letras engraçadas e críticas ao mesmo tempo remonte a artistas mais antigos, até de tempos em que não havia rock por aqui.
Há, na cena independente brasileira, várias bandas que se destacam nessa arte. Na sexta passada, esteve em São Paulo, tocando na Outs, a banda Porcas Borboletas, cuja "Lembrancinha" pode ser ouvida no Myspace dos caras. Abaixo, a canção vai ao vivo, mas o som não está cem por cento. A letra é curta, simples e hilária - o refrão é uma crítica ácida ao consumismo: "Ah, se eu pudesse escolher, eu preferia um Nike":
Para reconhecer a ironia - sempre levando em consideração que ser irônico é dizer exatamente o contrário do que se quer dizer -, é necessário investigar as estrofes. "Mamãe, te amo / Mas podia ter te amado / muito mais naquele dia / em que pela porta entraste / trazendo nas mãos / uma grata lembrancinha": do ponto de vista da linguagem, os elementos são flagrantes - o tom de carta de família, subitamente interrompido no segundo verso, em que o ouvinte descobre que a relação afetiva está condicionada ao presente recebido; a flexão da forma verbal "entraste" na segunda pessoa, que confere ao texto uma solenidade artificial, também reforçada pela entonação de voz; a expressão toda clichê "e nos lábios, os dizeres"; finalmente, o diminutivo carinhoso do título, a "lembrancinha", antecipada, agora, pelo ainda mais artificial adjetivo "grata", assume sentido extremamente irônico, já que o presente oferecido pelos pais ao eu que canta será aceito, mas desvalorizado no refrão.
Na segunda estrofe, alcança-se, mais uma vez, a ironia, por meio da fala da mãe, orgulhosa do amor que dedica ao filho, medido pelo presente que lhe oferece: "Toma, meu filho, é pra você. / E isto prova que mamãe e papai / te amamos muito / muito muito / mas agora é tarde / e eu vou dormir". Versos curtos para dizer muita coisa: a prova de amor ao filho é meramente material; não é à toa que, no refrão, a singela criança rejeita o presente, afinal, se a medida do amor está num produto, para sentir-se amado é mais que fundamental que ele seja caro, ou que seja aquele que traz mais status - no caso, a marca mais famosa. Coisas do mundo do capital.
Os leitores que notaram que a mãe vai dormir logo depois de presentear o filho já terão sacado que há aí, também, uma crítica ao trabalho excessivo, que toma aos pais tempo de ficar com os filhos, a quem só resta serem amados por meio de presentes.
A força da canção dos Porcas Borboletas, entretanto, vai além dessa crítica: há, ainda, a citação a versos de "Chavão abre porta grande", de Itamar Assumpção - o que abre novas portas interpretativas. À primeira vista, em "Lembrancinha", a banda Porcas Borboletas criou uma canção bem-humorada, irônica; depois, sem perder a piada, acabou fazendo crítica forte à lógica irracional do capitalismo, em que a medida do amor está no preço dos produtos-mercadoria; finalmente, ao citar um dos participantes da Vanguarda Paulistana - uma das gêneses inspiradoras da cena independente atual -, o conjunto se insere na tradição da nossa música experimental, livre das amarras da indústria fonográfica, tocando adiante a obra de mestres como o próprio Itamar Assumpção, Arrigo Barnabé (com quem a banda se apresentou recentemente) e o Grupo Rumo, do compositor e professor Luiz Tatit, cuja obra a respeito da canção brasileira não canso de citar.
De fato, é verdade que chavões - isto é, clichês - abrem portas (interpretativas) grandes: os termos "entraste", "nos lábios, os dizeres" e o próprio título "lembrancinha" são lugares-comuns que nos encaminham para as críticas e ironias da canção.
Ainda mais do que isso: os versos "Não adianta vir arreganhando os dentes para mim / Porque sei que isso não é um sorriso", de Itamar Assumpção, podem aludir ao sorriso dos pais (que presenteiam) dirigido ao filho presenteado, retomando a ideia da relação afetiva orientada pelo universo material. O sorriso não é sorriso: é obrigação, ameaça, contrato assinado de dever cumprido.
Em "Penso logo existo, penso que existo / Penso que penso, penso que penso" podem ter o mesmo efeito, escancarando a alienação dos que estão sujeitos às relações afetivas esmagadas pelo dinheiro.
Finalmente, "Quem não vive / tem medo da morte" e "De repente o amor de sempre / Não era mais suficiente" desvelam, agora a sério, sem as ironias, o desmoronamento da relação dos pais com o filho já analisada nos versos anteriores. Do ponto de vista sonoro, nas estrofes, uma levada de música de sala de jantar, música-ambiente, indica sarcasmo rasgado dirigido à família tradicional. No refrão, o arranjo é pura alegria. De um lado, a letra escancara a falência das relações; de outro, no plano sonoro, permanece o bom mocismo decadente e encobertador da família artificialmente feliz. Ironia pura, do ponto de vista cancional.
Se ouvirmos o disco inteiro dos caras, descobriremos a ironia aos métodos emburrecedores de aprendizagem de inglês em "Sunday"; a análise da vida urbana em "Por um triz" e "Protegimento"; a experimentação dos limites sonoros e significativos da palavra em "Vernissage", "Chamada" e "Terminal Central"; o escancaramento da pessoa-produto em "Pessoa Linda" (essa merece uma análise só para ela), em que o escancarar de dentes que parece sorriso é retomado; e "Eu", texto de Arnaldo Antunes publicado no livro as coisas, de 1992, musicado pelo Porcas Borboletas de forma sensível, que nos faz entender o quão pequenos somos no mundo. Um disco inteiro bom, destinado a tornar-se clássico, daqueles que se ouve durante meses, talvez até mais tempo, com a ordem das canções na cabeça; daqueles que acabam marcando e demarcando um determinado momento da própria vida de quem ouve.
Retomando a tradição da Vanguarda Paulistana; trabalhando com as palavras sob a influência de poetas de grande quilate (não é à toa que, nas semanas que virão, o letrista Danislau Também participará de recitais poéticos com Chacal, poeta da emblemática geração de 70 da poesia marginal), mas já alcançando-os e até superando-os; usando o riso para fazer crítica, sem cair na esculhambação e no pastelão; mergulhando em toda ordem de experimentações sonoras; preocupando-se sempre com a crítica e com a formação do público; e, para terminar, fazendo um espetáculo que impressiona pela performance, os Porcas Borboletas enriquecem a cena idependente e acotovelam a canção brasileira desinteligente, alienada, sentimentalóide, aprisionada por sonhos de Nikes, forrada de humor que não faz crítica.
Trata-se de borboletas pela sonoridade poética; trata-se de porcas pela sujeira que trazem à tona em suas críticas - e quem é que precisa de mais do que isso?