Morfina Pequenas doses para dores diárias

9mar/10

Visitantes no Cedo e Sentado do Studio SP

Os eternos camaradas dos Visitantes vão botar os pés no palco do Studio SP depois de suas andanças pelo Nordeste do país. Voltam carregados de experiências e vontades, mostrando que São Paulo também é terra de bom rock, aquele com personalidade.

Ainda na divulgação de seu primeiro cd, "Na Brasa Fugaz da Cana Queimando", a trupe formada por Cardelli (vocais e guitarras), Dods (baixo), Sabão (guitarra)  e Thiaguim (bateria), faz versões mais intimistas dentro do projeto Cedo e Sentado, que acontece mais cedo no Studio. A apresentação ainda conta com a participação de Laya Lopes, vocalista d'O Jardim das Horas, que também lançaram cd esse ano.

E para quem quiser uma prévia, além do MySpace do grupo vocês podem conferir a participação deles no programa Fazendo Hora, amanhã (quarta, dia 10, às 16h), na Rádio Levi's.

Serviço:

Visitantes no Cedo e Sentado
Studio SP - Rua Augusta, 591
Dia 17/03, 21h
Entrada franca

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9mar/10

Agenda no Rio – Drenna no Bar Empório

Divulgação, por Renata Brant

Neste sábado, dia 13 de março, no Bar Empório, em Ipanema, a cantora de pop/rock Drenna lança seu primeiro disco autoral e homônimo. Será uma noite dedicada ao rock: do clássico ao indie, do pop ao alternativo. A discotecagem fica por conta de Mauricio Gouveia, do Sebo Baratos da Ribeiro. Além da cantora, a banda Wagner José e Seu Bando também leva seu ‘rock and blues’ para completar a festa.

Com produção totalmente independente, o disco foi gravado no Estúdio Observatório dos Ecos, do músico Marcelo Yuka. "Estávamos procurando um estúdio de qualidade. Nesta mesma época a Jô Rocha, que assina a direção do disco, passou a trabalhar com o Yuka. Vimos os trabalhos que já haviam sido realizados, gostamos, então resolvemos gravar lá", explica Drenna.

Acompanhada de um time de peso, o disco, com produção de Fred Inglez, tem duas participações mais que especiais. Além do próprio Fred, que assina a guitarra na faixa Então me diga, Marcelo Yuka participa com o teclado em Gelo Coração. "Queríamos alguma participação especial, pensamos em alguns artistas, até que surgiu a idéia de convidar o Yuka para participar. Ele curtiu e então rolou. Ficamos muito felizes".

Drenna assina oito faixas do disco, com exceção de Desenho de Giz e Siga. Além de compor, ela mesma gravou o backing vocal e a guitarra. A bateria e guitarra ficaram por conta de Milton Carlos e Rodrigo Pex, que acompanham a cantora nos shows, com o reforço de Rafael Gama no baixo. Para completar, Drenna convidou os músicos Jamaica para o baixo e Ronald Salles para terceira guitarra.

Segundo o autor do livro “Eu quero rock in roll”, Marcelo Guapyassú, as canções têm identidade e para um primeiro trabalho, Drenna está na direção certa. “Continuo degustando seu cardápio. Delícia! Ok... O som tá rolando redondinho, parabéns! Segurança, afinação, personalidade, coragem! Muito bem menina, mandou bem!”, elogia o jornalista.

Drenna assina um disco de rock, feito por quem toca há mais de 10 anos e já passou pelos tradicionais palcos do Rio. "Não foi fácil fazer um disco independente, mas queríamos algo de qualidade e fomos atrás. Tenho certeza quem ouvir, vai gostar!" garante ela.

Drenna é acompanhada pelos músicos Rafael Gama no baixo, Rodrigo Pex na guitarra e Milton Carlos na bateria.

Myspace: www.myspace.com/drennarock
Youtube: www.youtube.com/Drennaguitarrista
Twitter: www.twitter.com/Drenna_rock

Serviço:

Empório apresenta Drenna e Wagner José e Seu Bando
DJ: Mauricio Gouveia do Sebo Baratos da Ribeiro
Data: 13 de março
Local: Empório – Rua Maria Quitéria n37 – Ipanema
Horário: 23hs
Ingresso: R$ 10 com nome na lista do Orkut e R$ 13 na hora.

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9mar/10

In-Edit Brasil 2010

A segunda edição do IN-EDIT BRASIL, Festival Internacional do Documentário Musical, acontece entre os dias 18 e 28 de março de 2010, em São Paulo, e 31 de março a 3 de abril de 2010, no Rio de Janeiro. Serão apresentados os melhores documentários sobre o universo da música. Serão 6 filmes em competição e mais de 70 titulos para curtir.

Competição Nacional: Beyond Ipanema · Dzi Croquettes · Mamonas para Sempre –O Doc. · Meu Amigo Claudia · Onde a Coruja Dorme · Seu Jorge – América Brasil, o documentário

Panorama Brasil: Brega S/A · L.A.P.A. · Lenine - Continuação · Rock Brasileiro – História Em Imagens · João Donato – Nasci Para Bailar · Tom Zé –Astronauta Libertado · Versificando · Fita Mixada Rotação 33 - DJ KL Jay · Sistema De Animação

Panorama Internacional: Anvil: The Story of Anvil · Led Zeppelin live at the Royal Albert Hall · NY'77 - The coolest year in hell · Heavy Metal in Baghdad · Sling Shot Hip Hop · Soundtrack for a Revolution · Suffering and Smilling · Woodstock: Now & Then · Shadow Play: The making of Anton Corbjin · One Fast Move or I'm Gone: Kerouac's Big Sur · The Folk Singer - A Tale of Men, Music & America · Still Bill · Johnny Cash’s America · A Tiempo Real· Trip To Asia.The Quest for Harmony· Note By Note: The making of Steinway L1037 · Icons Among Us: Jazz in the Present Tense · Intangible Asset Number 82

[ + ]: Retrospectiva Brasil: os documentários musicais que fizeram história no Brasil · Brasil.doc: uma oportunidade única para ver produções independentes · Curta Um Som: com os melhores curtas dos últimos anos · Convidados Nacionais e Internacionais: as personalidades mais destacados do panorama documental musical · Q&A: Bate papo com os diretores · Shows: com os protagonistas · Debates · e algumas surpresas. Aguardem!

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8mar/10

Desengonçalves, 27 de março, na Livraria da Esquina, na décima edição das Noites do Bem

Desengonçalves é a banda convidada para a décima edição da festa Noites do Bem, promovida pela Identidade Musical, no dia 27 de março, na Livraria da Esquina

A banda DESENGONÇALVES - com André Abujamra, na guitarra, Loco Sosa, na bateria, Odayr Baptista no contrabaixo e as vozes de Guilhermoso Wild Chicken - faz uma releitura, com muito rock and roll, das canções clássicas de Nelson Gonçalves, como "Fica Comigo Essa Noite" e "Mágoas de Caboclo".

Assista à entrevista com a banda, no Programa Metrópolis, da TV Cultura:

A décima edição das Noites do Bem, além de contar com a participação do Desengonçalves, consagra o sonho da Identidade Musical de fomentar a leitura: o preço de entrada é de R$ 15, mas cai para R$ 10, caso o participante leve um livro para doação. E desta vez, todos os livros arrecadados nesta edição e nas anteriores serão doados ao projeto Biblioteca Comunitária Real Microcrédito, que tem o objetivo de agregar valor aos empreendedores locais (disseminar conhecimento) onde atuam, bem como ao seu núcleo familiar (despertar sonhos nas crianças destas comunidades). A primeira biblioteca será no Jd. Colombo (Paraisópolis). A primeira etapa deste projeto é a"Campanha de Arrecadação do Acervo". Eles estão precisando de doações de livros, DVDs e vídeos. E todos nós da Identidade Musical, além do público que já esteve e que estará presente nas Noites do Bem, vamos contribuir.

Serviço

Noites do Bem com Desengonçalves
Dia 27 de março, a partir das 23h
Na Livraria da Esquina - Rua do Bosque, 1254 - São Paulo, Barra Funda
Entrada: R$ 15. Doe um livro e pague R$ 10
Todas as obras arrecadadas serão doadas ao projeto Biblioteca Comunitária Real Microcrédito

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8mar/10

Show dO Sonso no Tapas, quinta-feira, 11 de março

Nesta quinta-feira, 11 de março, a banda O Sonso se apresenta no Tapas Club, na Rua Augusta.

Liderada pelo irreverente vocalista e letrista Daniel Groove, a banda O Sonso apresenta canções que integram, na mesma sonoridade, o rock e a canção romântica brasileira, chamada de brega, mas que a banda valoriza e ressignifica, numa obra inovadora, para fazer dançar, cantar e se emocionar. De letras fortes, potencializadas pela performance do vocalista, O Sonso veio para atingir o grande público, com a pretensão única de fazer boa música bebendo em todas as fontes.

A proposta sonora de integrar a canção romântica brasileira com a força do rock fica evidente nos arranjos e nas letras. A noção do tempo fica diluída, sintetizada a uma “ideia na cabeça, poeira na cabeça e um poema pra você” – e fica para o ouvinte essa oferta subjetiva, perceptível nos instantes da audição do CD, mas que pode ser degustada em cada verso.

Nas apresentações ao vivo, a performance de Daniel Groove é marcante – ele fala com o público, diverte-o e conta histórias, sem deixar o ritmo da apresentação cair. Daniel não tem medo de olhar nos olhos das pessoas e transmitir, por eles, pelas entoações vocais e pelos gestos, toda energia poderosa que emana das canções: Daniel é o amplificador físico das emoções que correm no palco e nos arranjos. A combinação dos versos com a fusão dos ritmos - e tudo cifrado na presença de palco e na expressão corporal de Daniel: isso é O Sonso.

Serviço

O Sonso no Tapas Club - Rua Augusta, 1246
Dia 11 de março
22h: entrada gratuita
23h: R$ 10

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8mar/10

Jota Wagner traz notícias de Londres

Na foto: Leo Clayton, Jota Wagner, Richard Clark, Jaxx and Patric Funk

"O domingo acabou com meia duzia de pints no East Village again, na noite de reggae deles que rola neste dia. bom papo com o estudioso do funk Stuart Patterson, que ainda tocou por um tempo".

Saiba o que está rolando na passagem do DJ Jota Wagner pela Europa no blog Groovism.

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6mar/10

Ouça no Domingo: Saulo Duarte e a Unidade

Pra muita gente, domingo costuma ser dia de acordar tarde, almoçar com a família, cochilar, depois pegar um cinema e ir pra casa. A Identidade Musical propõe, assim, um post dominical, descompromissado, só para ouvir um barulhinho - ou barulhão, se for o caso - antes de a semana começar. Quem sabe, o som que você pode ouvir no carro na segunda pela manhã, ou no escritório, ao longo da semana: uma forma de estender o fim de semana semana adentro...

Foto de Ezyê Moleda

Clique aqui para ouvir as canções de Saulo Duarte e a Unidade

Ainda bem que é difícil rotular as canções de Saulo Duarte e a Unidade: com arranjos e letras simples, o compositor nascido no Pará e radicado por aí, hoje morando em São Paulo, não se preocupa com classificações – preocupa-se com a sinceridade de sua expressão musical e poética e com a consistência de sua proposta, todas elas amplificadas e sintetizadas pela banda A Unidade. Com Klaus Sena, no baixo, João Leão, nos teclados e Beto Gibbs, na bateria, além do próprio Saulo, na voz e nas guitarras, a banda potencializa nos arranjos o universo subjetivo de Saulo Duarte, que, na maioria das vezes, compõe as canções no violão.

É nas letras do compositor que está o núcleo de sua obra – em sua maioria, elas contêm fragmentos esparsos das experiências pessoais dele, em que as celebrações da vida e as desilusões amorosas se misturam à cidade e aos acontecimentos da ordem do dia. A sensibilidade do compositor o faz permeável a tudo que lhe acontece ao redor, como se ele fosse uma espécie de captador sensível das pessoas e do mundo. Tudo isso em letras simples, com a vontade de dizer o mais profundo da forma mais fácil, sem pretensão.

De certa maneira, todo esse universo pessoal está sintetizado nas composições em voz e violão, e cabe à Unidade amplificá-lo. Os arranjos da banda alcançam sonoridades que dialogam com a festividade da Jovem Guarda dos anos 60, do Roberto Carlos romântico e quase psicodélico dos 70 e do Jorge Ben Jor mais groovado, além de referências ao carimbó, à guitarrada e ao brega – que deve ser entendido, aqui, como canção romântica, sem o sentido pejorativo que muitas vezes se dá àquelas obras que versam sobre as faltas sentidas e cometidas.

Mas as influências não aprisionam Saulo e a Unidade: o que há de presente nas composições são experiências vividas no hoje – é aí que elas ganham força, porque Saulo está em sintonia com as pessoas e espaços de seu tempo. A Rua Augusta, a Barra Funda, a Cardeal Arcoverde e a Teodoro Sampaio não são apenas cenários – também são personagens, cujos ritmos e frequentadores interferem diretamente nas canções, dando-lhes cores urbanas e contemporâneas.

No panorama da nova geração da música brasileira, Saulo Duarte e a Unidade se destacam por evitar o uso da técnica pela técnica: o espetáculo e a verdade de suas canções estão no suor e no sorriso dos músicos, na sinceridade das letras e na simplicidade dos arranjos. Saulo Duarte é um portador de canções, um intérprete de si mesmo, com a certeza de que é nas manifestações mais específicas e subjetivas que estão os conteúdos mais universais.




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5mar/10

Projeto Mais Massa: Volver recebe banda Anacrônica, de Curitiba

No dia 18 de março, quinta-feira, a partir das 22h, na Livraria da Esquina, acontece mais uma edição do Projeto Mais Massa, em que a banda Volver recebe a Anacrônica, de Curitiba.

Volver (www.myspace.com/volverbrasil)

A pernambucana Volver, que a partir de junho passou a residir em São Paulo, já vem conseguindo espaços importantes na capital paulista e no Brasil. Formada por Bruno Souto (vocal e guitarras), Fernando Barreto (baixo e vocais), Zeca Viana (bateria e vocais) e Kleber Croccia (guitarra e vocais), a banda vem viajando o país, viabilizando melhor a carreira e também conquistando a simpatia de um novo público.

O grupo, que lançou no ano em 2008 o seu segundo disco, o elogiado "Acima da Chuva" (Senhor F Discos), consolidou sua carreira no Recife, tendo participado de importantes festivais na cidade como Abril pro Rock e No Ar: Coquetel Molotov. Lançado virtualmente através do MySpace, o disco atingiu a marca de 60 mil downloads no período de 30 dias, em que ficou disponível integralmente. Hoje essa marca se aproxima dos 100 mil downloads.

Anacrônica (www.myspace.com/bandaanacronica)

O cineasta François Truffaut (1932-1984) esperava duas coisas de um diretor: que fosse, de fato, um artista, e que tivesse ambição. “Deus e os loucos” (Independente, 2009), álbum de estréia do Anacrônica, cumpre as duas expectativas. Morda ou assopre, o rock muitíssimo bem tocado – e nunca diluído – pelo quarteto curitibano ainda vai além. O fim da década tem, enfim, sua trilha sonora urbana, graças a Sandra Piola (voz), Bruno Sguissardi (guitarra e voz), Marcelinho (baixo) e Marcelo Bezerra “Gordo” (bateria).

Em setembro passado, o primeiro single “Eles me querem assim” foi indicado pela Revista Rolling Stone na sessão “Ouça Também”, que decretou: “A faixa é guiada pela voz marcante de Sandra Piola em uma levada meio blues e cheia de camadas instrumentais. No meio vira uma bossinha maliciosa que logo desemboca numa catarse sonora.” A música entrou no Hotlist do site da revista e vem sendo executada em várias rádios do país. O videoclipe do single já está sendo veiculado na MTV Brasil. As viagens para Sul e Sudeste são rotina para a Anacrônica. “Está acontecendo como a gente sempre imaginou, aos poucos, e em função do empenho da banda e da força dos nossos sonhos”, comenta Sandra. Os sonhos têm nomes. São as canções de “Deus e os loucos”, como “O que será”, “Um Adeus” e “Vestígios”, além da já clássica faixa-título.

Serviço
Projeto Mais Massa: bandas Volver e Anacrônica
Quinta-feira, 18/03/10
Livraria da Esquina - Rua do Bosque, 1254 - Barra Funda, São Paulo
Abertura da casa às 22h - Shows depois das 23h
Entrada: R$ 15 ou R$ 10 com nome na lista (lista@maismassa.com.br)

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4mar/10

Quem está “com a corda no pescoço”? Mídia, indústria fonográfica e cena independente – Parte III

O que não é a canção brasileira

Este post é continuação da análise da reportagem publicada no dia 21 de fevereiro, na Folha de São Paulo, em texto de Bruna Bittencourt. Para ler a primeira parte da análise, clique aqui. Para ler a segunda parte da análise, clique aqui.

Segue abaixo a conclusão do texto:

Nesse cenário, artistas estrangeiros já consagrados se beneficiam. "Boa parte do que você tem que fazer vem pronto, o custo é menor", diz Affonso sobre gastos como gravação de disco e divulgação.
"Infelizmente, vai voltar a ser como na década de 70, 80, quando o mercado era 25% de música brasileira e 75% de internacional", arrisca ele. O que mudou esse quadro foi um incentivo que o governo criou para gravação nacional. As companhias podiam abater do ICM (imposto sobre circulação de mercadoria) a ser pago o que investiam em artistas nacionais, explica Éboli. "Mas o incentivo foi retirado há cinco anos. O produto nacional passou a competir em igualdade com o internacional por investimento. É como comparar o "Avatar" a um filme nacional."
Apesar da redução, Rosa é otimista em relação à venda de música brasileira, 70% do total. "É uma taxa muito alta de repertório local, superada apenas pelo mercado americano." Marcelo Castello Branco, da EMI, concorda: "É uma posição diferenciada".

Vamos ver se entendi o raciocínio: com a isenção do ICMS, o público brasileiro passou a consumir mais música brasileira, já que as gravadoras passaram a investir mais nela do que na estrangeira. Mais uma vez, segundo a lógica do texto: o público consumirá aquilo que a gravadora lhe apresenta. Consideremos, entretanto, alguns outros dados:

a) existem "demandas de mercado" que partem do público, não das campanhas de marketing das gravadoras. Se elas soubessem reconhecer que trabalham com música popular, não com geladeiras ou televisores, já teriam percebido que, embora seja verdade que muita gente só consome o que toca na rádio ou na trilha da novela, há conteúdos e sonoridades que partem do público, não daquilo que os executivos consideram ser um bom produto. A história da canção brasileira está cheia de exemplos disso. Talvez, nos processos seletivos das grandes gravadoras, fosse uma boa exigir, além de MBAs, leituras básicas, como o já citado Música, Ídolos e Poder — do Vinil ao Download, de André Midani, ou O Século da Canção, de Luiz Tatit, em que se lê o seguinte:

Acontece que as leis do mercado só são leis de fato quando analisadas retrospectivamente. Sua capacidade de previsão, ao menos com produto de natureza artística, é de curto alcance. O êxito dos produtores e executivos que parecem se orientar por essas leis depende bem mais da flexibilidade com que desenvolvem suas estratégias do que da determinação infalível de seus métodos. Contracenando com o encaminhamento do produto, há as flutuações no âmbito do gosto e das necessidades emocionais que singularizam os mais variados setores da sociedade e se manifestam diferentemente em cada fase de sua evolução histórica. Os produtores foram aprendendo a auscultar assiduamente a opinião dos ouvintes e a refazer incansavelmente seus projetos de acordo com as variações registradas.

Em poucas palavras: para trabalhar com música, é preciso um mínimo de sensibilidade à arte, à crítica e ao público. Planilhas de Excel não podem resolver tudo;

b) a tal isenção do ICMS não teve apenas os efeitos benéficos descritos na reportagem da Folha. No livro Dias de Luta: o rock e o Brasil dos anos 80, o jornalista Ricardo Alexandre, num trecho sobre a virada do mercado fonográfico brasileiro da década de 70 para a de 80, afirma que

"Uma perversão da lei permitia que as gravadoras multinacionais ficassem isentas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICM) apresentando contratos com músicos brasileiros. Ou seja, quanto mais discos do Led Zeppelin (as tais "mercadorias") vendessem no Brasil, tanto mais Gilberto Gil (o "músico brasileiro") enriqueceria - e não faltaram nesse período baluartes que, graças à isenção fiscal, trocaram de gravadora e ganharam apartamentos ou adiantamentos faraônicos, mesmo com suas vendas modestas"

Assim fica mais fácil de entender por que alguns compositores insistem em ficar ao lado da indústria fonográfica. Trata-se exatamente daqueles muito poucos (e terão todo esse talento? ou são apenas técnicos, grandes especialistas em fazer sempre o mesmo produto, com que uma grande parcela do público ainda está habituada?) que se beneficiam das margens de lucro das grandes gravadoras.

Alguns leitores poderão argumentar que o trecho de Ricardo Alexandre se refere a um período já distante. Verdade, mas a lógica parece continuar a mesma: privilégio de uns poucos músicos alinhados com a indústria fonográfica. Outros leitores poderão ter ficado injuriados com a referência a Gilberto Gil, um dos nomes quase intocáveis da MPB. Também fico, porque Gil é dos grandes talentos que temos. Mas insisto: a verdade é que uns poucos deles se beneficiam da estrutura das gravadoras.

c) há uma constatação que permeia o texto: a de que o mercado brasileiro de música é diferenciado, porque 70% das canções consumidas por aqui são de compositores brasileiros. A cifra é impressionante e talvez soe falsa para alguns leitores. Mas não nos iludamos: a música brasileira vai muito além das bandas, duplas e intérpretes das novelas da Globo e das rádios FM. Aqueles 70% são compostos também por uma imensidão de compositores renegados pelo público elitizado e pelos grandes jornais. O texto publicado na Folha, destinado exatamente aos setores dominantes e à classe média, advoga em favor da "música brasileira", que está supostamente com "a corda no pescoço", mas talvez a autora tenha se esquecido de que a maioria dos músicos que compõem os tais 70% seriam classificados pelos leitores da Folha como "de mau gosto".

d) não gosto nem de imaginar possíveis consequências nefastas da publicação de uma reportagem como essa: repete-se o discurso cômodo de que "não se faz música brasileira como antigamente", de que "a música brasileira não tem novos talentos", ou de que "estamos sofrendo a invasão da música estrangeira". O tom da reportagem é o de que a pobre indústria fonográfica, que tanto investiu na cultura brasileira, agora está abandonada às traças pelo governo, sem isenção fiscal, e pelo público.

O que tentei fazer neste texto foi examinar a fundo a reportagem publicada na Folha de domingo, em que o discurso da indústria fonográfica é reproduzido à risca, com o tom alarmista de que "a música brasileira está com a corda no pescoço", sem levar em consideração o recrudescimento do mercado independente de música e os compositores que o público leitor elitizado não escuta. A canção brasileira não são apenas os sucessos emplacados pelas cinco grandes gravadoras.

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3mar/10

Sim, é batido, mas temos que olhar fora da caixa

Crédito da imagem - http://amnesia.weblog.com.pt/

Conhecemos pessoas obtusas em nossa vida toda. Me lembro de no colegial e na faculdade ter conhecido muitos professores assim. Claro que vários dos meus colegas também eram. Se duas "entidades" tão distintas quanto alunos e professores tem em suas fileiras pessoas obtusas, logo se tornou claro para mim que seria assim em todo lugar, em todo mercado, com qualquer classe, credo e cor. Eu mesmo me vejo obtuso em algumas ocasiões.

Trabalhando com música encontrei muita gente assim, como era de se esperar. Tem algo em quem trabalha no mercado independente que me incomoda muito. Por ser uma cena muito segmentada, diversas vezes estou conversando com uma banda, com um produtor ou com um jornalista e o sujeito solta algo como "nós temos que fazer algo pela música independente" ou então "é isso que eu vejo acontecendo na cena musical independente". Pululam artigos falando como tal artista vai salvar a música independente ou então festivais que se denominam grandes vitrines da música independente.

Normalmente ao lermos sobre tais bandas, acompanharmos a programação destes festivais ou conversarmos com essas pessoas o que percebemos é que em sua visão representar a música independente é uma questão altamente segmentada. Ou seja, o festival que se diz de música independente é de ROCK independente, a tal banda é representativa da cena roqueira e o que todos pensam em fazer é pelo rock independente. Não sei se esse problema é sintomático nas cenas de outros estilos, mas são poucos os envolvidos na cadeia produtiva do rock independente que conseguem ver que a MÚSICA independente ainda conta com movimentos como o hip-hop, o jazz, a mpb, o eletrônico, o sertanejo, a música instrumental, a música experimental e por aí em diante. Tem independente fazendo todo tipo de som. Do mais pop ao mais alternativo.

Mesmo ao falar de rock independente muitos dos que podem se julgar mais esclarecidos não colocam no mesmo tacho o metal e o hardcore, por exemplo. E são cenas extremamente organizadas, que movimentam muita gente e geram bons retornos. O pessoal que trabalha com reggae, por exemplo, consegue montar festivais para mais de 5000 pessoas somente com bandas independentes.

Isso não quer dizer que para trabalhar bem então temos que ser ecléticos, aceitar tudo e trabalhar com todos. Não funcionaria assim. Segmentar é bom e para nós é a melhor solução, mas temos que parar de olhar para nossos umbigos e achar que a música independente está circulando ao nosso redor. A visão crítica de outros estilos tem que ser aquela em que o achar ruim ou bom não tem nada a ver com gostar ou não gostar. Por exemplo, eu não gosto de artistas como os axés Ivete Sangalo ou Chiclete com Banana, mas não posso simplesmente falar que eles são ruins. Dentro da proposta de trabalho deles são ótimos músicos e contam com ótimas equipes.

E se houver um extremista que realmente prefira achar tudo o que os outros fazem um grande lixo, o sujeito poderia ao menos se dar o luxo de ver que existem práticas que a gente tem que entender como funcionam e adaptar, saber usar para nosso proveito. Como o famoso caso do Calypso, aliás, a maior banda independente do Brasil, que se auto-pirateava e com isso se tornaram um grande sucesso. Não é que uma banda de hip-hop ou de rock vai ter que fazer o mesmo, mas não é ao menos um caso interessante para analisar?

Ou ainda a cena funkeira. Um ritmo que faz sucesso em comunidades carentes, onde uma porcentagem bem baixa da população tem acesso à internet e atrai milhares de pagantes para cada baile. Será que não é o caso de nos perguntarmos como eles conseguem sem convidar todos seus amigo do Facebook? Ok, esse é um exemplo extremo, comunidades periféricas tem poucas alternativas e o que rola dentro da comunidade acaba se tornando a única opção. Mas por que não pensar em chegar nesse público, tocar para a periferia e "comer pelas beiradas"? E os milhares que vão às raves, muitas delas acontecendo à quilometros de onde moram, em outras cidades? Tem gente que eu conheço que se estiver rolando um show em qualquer outro lugar que não seja na Rua Augusta, aqui em São Paulo, não vai. Problemas de público, obtuso também.

Mais uma vez, repito, não é para espelhar as nossas ações nessas que já foram tomadas por outros produtores, de outros movimentos. Mas se quisermos dar mais alguns passinhos em direção à profissionalização, à organização e a um modelo de mercado que seja sustentável para artistas e demais envolvidos na cena, talvez seja hora de olhar fora da caixa e entender que estamos todos no mesmo barco.

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