Festival Fora do Eixo Rio-São Paulo 2010
Via Portal Nagulha: http://nagulha.com.br/programacao-do-festival-fora-do-eixo-em-sao-paulo/
O mês de abril será de muita atividade em São Paulo com a chegada do Festival Fora do Eixo que chega na sua segunda edição. A programação ainda rola no Rio de Janeiro e será confirmada em breve. Segue abaixo as datas do evento em São Paulo.
Programação SP
6 – Terça
Mini Box Lunar + Jardes Macalé – Itaú Cultural
20h – entrada gratuíta
7 – Quarta
Macaco Bong + Caldo de Piaba – Studio SP
23h – r$ 20/15
8 – Quinta
Burro Morto + Cabruêra – Tapas Club
23h – r$ 15/10
9 – Sexta
Nevilton – Espaço + Soma
19h – entrada gratuíta
Workshop “Teatro em Espaços Alternativos” – Espaço Oswald Andrade
9h as 13h – entrada gratuíta
Espetáculo Teatral “O Urso”– Espaço Oswald Andrade
16h – entrada gratuíta
Intervenção Teatral “Cena num Bar” – Espaço Oswald Andrade
23h – entrada gratuíta
10 – Sábado – 23h
Facas Voadoras + Canastra – CB
19h – r$10
Rinoceronte + Remove Silence – Livraria da Esquina
23h – r$10
Workshop e “Performance” – Espaço Oswald Andrade
9h as 13h – entrada gratuíta
Espetáculo Teatral “Coquitail Espoleta”– Espaço Oswald Andrade
16h – entrada gratuíta
Cardápio Cênico “Vendem-se Cenas” + “Performances em Casas Noturnas” – Espaço Oswald Andrade
23h – entrada gratuíta
11 – Domingo – 20h
Porcas Borboletas – Centro Cultural Rio Verde (Projeto Pelota e Violão)
14h – r$10
Festas de encerramento – Neu Club
22h – r$10
Workshop “Malabares: Teoria, Prática e Apresentação” – Espaço Oswald Andrade
9h as 13h – entrada gratuíta
Espetáculo Teatral “Marias de Deus”– Espaço Oswald Andrade
16h – entrada gratuíta
Intervenção de “Malabares” – Espaço Oswald Andrade
23h – entrada gratuíta
Jair Naves na Outs, sexta-feira, dia 19 de março
Uma das chances mais significativas que tive desde que comecei a trabalhar com música independente foi escrever o release do novo EP de Jair Naves, Araguari - cidade que conheço bem, mas que já quase se me apagara da memória. Aí veio Jair, com as lembranças dele, trazendo as minhas à tona, num turbilhão que vivi na semana em que me perdi para escrever o texto, que segue abaixo:
Araguari, primeiro trabalho solo de Jair Naves, chega ao público na forma de EP em fevereiro de 2010. Na primeira audição e na passada de olhos pelos títulos das canções, percebe-se a homenagem à cidade que dá título ao trabalho e que fica ao norte do Triângulo Mineiro, celebrizada no cinema nacional pelo filme O Caso dos Irmãos Naves, sobre a prisão, tortura e morte de dois irmãos que confessaram um crime que jamais cometeram. Mas Araguari é também e principalmente um mergulho na memória do compositor, que passou parte da infância na cidade. As lembranças e experiências do músico conduzem as canções, por vezes, ao lirismo das modas de viola e à nostalgia invertida das lacunas de quem se viu à margem; em outras, à volubilidade de quem não acredita mais no amor, mas que se vê surpreendido pela paixão; finalmente, ao travo da injustiça e do desajuste que Jair parece ter herdado da história da cidade.
Em Araguari I (Meus Amores Inconfessos), primeira faixa do EP – em cuja introdução se ouvem, ao fundo, diálogos do supracitado O Caso dos Irmãos Naves – a linha de baixo e a da melodia vocal aludem à música sertaneja de raiz, conferindo à canção o lirismo típico da região. O arranjo como um todo, entretanto, renova o gênero e lhe confere atualidade, fazendo que Araguari I (Meus Amores Inconfessos) seja a ponte musical e temporal entre a inocência perdida na cidade, de um lado, e a avaliação presente que Jair faz das experiências vividas, de outro. Duas faces da mesma moeda, face e reflexo invertido no espelho: é por meio das brigas compradas, das canções entoadas e dos amores inconfessos do título que a vida de hoje é investigada, como se a Araguari da infância, no que lhe faltava ou sobrava, orientasse o sentido da vida presente.
Silenciosa é fortemente marcada pela parceria vocal com Júlia Frate e pelo arranjo simples, apenas com violão e piano. É a canção da fratura amorosa, mas sem os exageros da paixão. O que se ouve é um eu conformado, desacreditado do amor, mas que acaba por pacificar-se por constatar que “se não deu certo com a gente, acho que nunca vai dar”. Não é exatamente a separação que aflige, mas o fato de ela ter sido consensual, sem discussões, civilizada: o eu que canta não se reconhece ao experimentar uma crise sem arroubos extremos. Daí que a canção, além de lamentar o divórcio com o outro, evidencia o estranhamento do eu com ele próprio – e outra vez é o universo subjetivo e íntimo que orienta as avaliações da realidade objetiva.
Em De branquidão hospitalar, queimando em febre, eu me apaixonei, a desesperança da faixa anterior é substituída por uma paixão febril, em que o eu se confunde, em todos os níveis da canção, com o você. Com um arranjo à moda da década de oitenta, esse amálgama idealizado se manifesta no título, com a impressão de que quem tem febre – e delira – é o eu, ao contrário do que se observa nos primeiros versos, em que o você é que faz o papel de “demônio enfermo”. O espelhamento entre os amantes também se revela claramente em “O que em mim você reconhece, eu reconheço em você” e no backing vocal feminino repetindo ao fundo a frase “não estou só”.
Mas é em Araguari II (Meus Dias de Vândalo) que desponta largamente a entoação vocal de Jair Naves, equilibrando-se entre a canção e a declamação poética, para fazer perceber o ser sensível que está por trás da voz que canta. A letra retoma a sensação subjetiva do desajuste e da inaptidão, além da falência da relação amorosa que vimos nascer inusitada na canção anterior. E a conclusão não poderia ser diferente, já que a cidade que dá título ao trabalho parece ocupar todos os espaços e todos os tempos, ainda que de forma implícita: “Talvez fosse preferível / que eu nunca tivesse saído / de onde eu nasci, / de Araguari”, em que a cidade mineira da infância, ainda que distante, serve mais uma vez de ponto de fuga ou de perspectiva, delimitando as impressões no presente urbano do já decênio século vinte e um.
Há uma gota de Álvaro de Campos, heterônimo do português Fernando Pessoa, especialmente na última canção, como se o sujeito poético de Jair relesse a Tabacaria e as duas Lisbon Revisited e compusesse, à sua moda, de viola ou de guitarra elétrica, o imaginário pessoal cujo espelho é sempre uma Araguari, ao mesmo tempo, distante e presente, da infância e da vida madura, da falta e da completude. Finalmente: a Araguari deste mesmo Jair Naves da São Paulo de 2010 e de um outro, o que deixou a inocência na cidade mineira e que recupera, apresenta e confessa os fragmentos e desajustes de si próprio nas canções de Araguari.
Só não vou lá porque Barizon e eu vamos dar uma palestras no Festival Rock Feminino, no mesmo dia e horário. Por essa falta quase imperdoável, prometo, antes da apresentação do mesmo Jair Naves no Mais Massa, dia 18 de abril, um texto de análise de uma das quatro canções.
Serviço
Jair Naves na Outs, dia 19 de março, sexta-feira
Rua Augusta, 486 www.clubeouts.com.br
Abertura às 23h
R$ 13 de entrada
Identidade Musical em semana de debates e palestras, na Escola de Sociologia e Política e no festival Rock Feminino
Sem que planejássemos, esta semana acabou se tornando uma espécie de "Semana de Pesquisa" aqui da Identidade Musical. Fomos convidados para participar de dois eventos em que vamos poder mostrar um lado da Identidade Musical que muita gente não vê: nosso investimento em pesquisas e reflexões sobre o mercado de música e as questões estéticas que o envolvem.
Amanhã, terça-feira, às 19h, Barizon e eu vamos à Escola de Sociologia e Política, para participar da aula "Produção Musical e Indústria Cultural: revisando Adorno", a convite do Professor Rafael Araújo, doutor em ciências sociais pela PUC de São Paulo e pesquisador do Núcleo de Estudos em Arte Mídia e Política (NEAMP). A ideia da aula é tentar associar, como já fazemos aqui no blog, a teoria acadêmica sobre a indústria fonográfica - especialmente a proposta por Theodor Adorno no texto "O fetichismo na música e a regressão da audição" - e a prática do que tem rolado no início do século XXI, sobretudo na cena independente.
Segue abaixo a chamada no site da escola, que pode ser lida na íntegra clicando aqui.
Alunos do segundo ano do curso de Sociologia e Política da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) assistem na próxima terça-feira, dia 16/03, à aula especial "Produção Musical e Indústria Cultural: revisando Adorno", organizada pelo professor doutor, Rafael Araújo
A aula que acontece às 19h00, na sala 63, contará com a presença de dois convidados, o músico, DJ, produtor e comunicador, Tiago Barizon e o professor de literatura e gramática, Rogério Duarte. O evento integra o conteúdo da disciplina de Introdução à Sociologia Contemporânea.
Já na sexta-feira, participaremos das atividades do Festival Rock Feminino, em Rio Claro, com três palestras. Na primeira, que ocorrerá na Sala de Cinema do Centro Cultural Roberto Palmari, falarei de “Canção Popular, Rock nacional e Formação de Público”. Nas outras duas, no mesmo local, Barizon vai debater “Comunicação, Promoção e Divulgação Musical” e“Cenário Musical Independente e a Cadeia Produtiva”. Veja a programação completa clicando aqui.
Ao contrário de muita gente, tentamos conciliar teorias acadêmicas com o cotidiano das nossas atividades. Para nós, é fundamental beber das fontes de críticos, teóricos e pensadores para podermos traçar estratégias e pensar nas ações de curto, médio e longo prazos - que são esquadrinhadas não só com a influência das áreas da reflexão estética da canção, mas também (e às vezes principalmente, dependendo da atividade) com a de áreas como a administração e a publicidade. O mais importante: não vamos para ensinar, mas para promover debates que consideramos indispensáveis para que o mercado de música independente se consolide e se fortaleça.
Gostou do texto? Divulgue!A Punksaravá avisa: neste fim de semana, Gil Duarte e Sistema Asimov de Som e a banda Cataia
Os parceiro da Punksaravá avisam que, "neste fim de semana, para os diurnos, a pedida é correr pra Casa do Mancha, na Vila Madalena, e curtir um show mais que especial de Gil Duarte e Sistema Asimov de Som! À tarde, cerveja gelada, amigos bons e muito trip-hop, afrobeat, alternativices e similares grooveados!
Para os que preferem a luz da lua, a dica é aproveitar o final de semana no Fidalga 33, onde teremos Cataia! Maracatu, MPB, samba, rock, regional, e garantia de não ficar parado!
Gostou do texto? Divulgue!Sarau Cultura Coletiva nesse domingo no CCRV
Organizado por amigos nossos, o Sarau Cultura Coletiva reune a cada edição um número maior de pessoas que vão para conferir o que tem rolado na cena artística independente, não só música, mas teatro, artes plásticas, literatura, dança e a preocupação com o bem estar. A programação vai agradar pessoas de todas as idades, casais com filhos bebês até seus vozinhos e bisavozinhos.
Domingo, 14/03, entre 15h e 22h
Centro Cultural Rio Verde
Rua Belmiro Braga, 119 - Vila Madalena
R$ 11,00
Visitantes no Cedo e Sentado do Studio SP
Os eternos camaradas dos Visitantes vão botar os pés no palco do Studio SP depois de suas andanças pelo Nordeste do país. Voltam carregados de experiências e vontades, mostrando que São Paulo também é terra de bom rock, aquele com personalidade.
Ainda na divulgação de seu primeiro cd, "Na Brasa Fugaz da Cana Queimando", a trupe formada por Cardelli (vocais e guitarras), Dods (baixo), Sabão (guitarra) e Thiaguim (bateria), faz versões mais intimistas dentro do projeto Cedo e Sentado, que acontece mais cedo no Studio. A apresentação ainda conta com a participação de Laya Lopes, vocalista d'O Jardim das Horas, que também lançaram cd esse ano.
E para quem quiser uma prévia, além do MySpace do grupo vocês podem conferir a participação deles no programa Fazendo Hora, amanhã (quarta, dia 10, às 16h), na Rádio Levi's.
Serviço:
Visitantes no Cedo e Sentado
Studio SP - Rua Augusta, 591
Dia 17/03, 21h
Entrada franca
In-Edit Brasil 2010
A segunda edição do IN-EDIT BRASIL, Festival Internacional do Documentário Musical, acontece entre os dias 18 e 28 de março de 2010, em São Paulo, e 31 de março a 3 de abril de 2010, no Rio de Janeiro. Serão apresentados os melhores documentários sobre o universo da música. Serão 6 filmes em competição e mais de 70 titulos para curtir.
Competição Nacional: Beyond Ipanema · Dzi Croquettes · Mamonas para Sempre –O Doc. · Meu Amigo Claudia · Onde a Coruja Dorme · Seu Jorge – América Brasil, o documentário
Panorama Brasil: Brega S/A · L.A.P.A. · Lenine - Continuação · Rock Brasileiro – História Em Imagens · João Donato – Nasci Para Bailar · Tom Zé –Astronauta Libertado · Versificando · Fita Mixada Rotação 33 - DJ KL Jay · Sistema De Animação
Panorama Internacional: Anvil: The Story of Anvil · Led Zeppelin live at the Royal Albert Hall · NY'77 - The coolest year in hell · Heavy Metal in Baghdad · Sling Shot Hip Hop · Soundtrack for a Revolution · Suffering and Smilling · Woodstock: Now & Then · Shadow Play: The making of Anton Corbjin · One Fast Move or I'm Gone: Kerouac's Big Sur · The Folk Singer - A Tale of Men, Music & America · Still Bill · Johnny Cash’s America · A Tiempo Real· Trip To Asia.The Quest for Harmony· Note By Note: The making of Steinway L1037 · Icons Among Us: Jazz in the Present Tense · Intangible Asset Number 82
[ + ]: Retrospectiva Brasil: os documentários musicais que fizeram história no Brasil · Brasil.doc: uma oportunidade única para ver produções independentes · Curta Um Som: com os melhores curtas dos últimos anos · Convidados Nacionais e Internacionais: as personalidades mais destacados do panorama documental musical · Q&A: Bate papo com os diretores · Shows: com os protagonistas · Debates · e algumas surpresas. Aguardem!
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