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Três letrasSexta, 12 de Setembro de 2008No trânsito, seguia a orientação das placas. Mas, para ele, as que indicavam o caminho eram as dos carros. Nas três letras que, ao lado dos números, identificavam os veículos, identificava os desígnios divinos. Ouviu da chapa CAS: devia comprar uma casa. Depois, as mesmas letras lhe disseram: case. Pensou no ditado e percebeu a relação entre os comandos. Logo em seguida, a chapa o aconselhou a ter um caso. Continuou a achar lógico -- para se ter um caso, é preciso estar casado, do contrário, é relação lícita, indigna do rótulo. Orientado por DIE, ia se matar, mas, na seqüência, aconselhado por CVV, desistiu. COR lhe disse para pegar uma na praia. Ou será que era para pintar a casa? Na dúvida, fez os dois. Não contestava a sabedoria das placas, muito mais personalizadas e assertivas que qualquer horóscopo. Nada fazia sem consultá-las. Só foi procurar ajuda médica quando ouviu delas o diagnóstico: TOC.
Aquela coisa toda por
Leandro Leal | 7 descendo o pau
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