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Sinto Falta

Quarta, 23 de Julho de 2008

Sinto falta daquele olhar de quem se gosta muito.

Dos jogos de ciúme, das brigas fúteis.

Sinto falta pois o Amor é assim, vem e vai, como onda quente de um furacão. Chega de repente, sem avisar, vai devastando todos os resquícios de saúde mental que ainda poderiam durar por nosso corpo, arrasta-se até onde não deveria, arranca pedaços onde já não haveria harmonia. E volta ao mar, ainda com mais força, mudando toda a paisagem e a arquitetura de uma ou mais vidas.

Sinto falta das carícias inocentes, de me entregar totalmente, contrariando a razão, emergindo ao instinto que impede a solidão, que atravessa o tempo e faz desejar ser outra coisa, outra pessoa, aquela à qual se está preso em servidão voluntária, sem limites.

Sinto falta de emaranhar as mãos em seus cabelos, tocar sua face enquanto se assiste a dormir quem se ama, e se deseja acordar, dançando, gemendo e revolvendo a cama. A dor de sentir o que transborda à matéria e deixa apenas as marcas do que um dia terá fim, inevitavelmente, pois nós somos assim, e nada importa no fim.

Sinto falta do adeus, de quando nada mais poderá dissolver ou nos juntar, posto que somos completos por si mesmos, e brincamos de dividir a vida num verdadeiro desespero.

Sinto falta do fim e do começo.

De duvidar do amor do outro, dos gestos que demonstram ou forjam um sentimento intenso.

Quantos amores já perdemos? Quantos deixamos que se fossem, inteiros ou de repente?

Quando a dor passará a ser prazer novamente?

Desejo apenas sentir mais falta, para poder começar de novo, em tempo, com alguém diferente ou com quem sempre se quis estar aqui, no mesmo presente.
 



Canalizado em PVC por Ivan Volpe | texto abduzido por 3