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Se eu pudesse

Quarta, 3 de Setembro de 2008

Se eu pudesse, eu mudaria tudo.

Se eu pudesse, largaria o emprego e iria morar numa ilha, saboreando água de coco e bananas, pescando sob Sol e observando as estrela à noite. Ou numa fazenda, cuidando dos bichos, plantando, colhendo, vivendo...

Se eu pudesse, não guardaria nenhum sentimento só para mim, iria me declarar àquela paixão antiga e platônica (até agora). Ligaria para alguns velhos e verdadeiros amigos, que o tempo e a distância, mesmo sem verdadeiras forças para nos afastar, acabaram por abafar nossa tão agradável união.

Se eu pudesse, diria tudo o que tenho a dizer ao meu pai. Tudo de bom, do que tenho orgulho, e dos erros que poderíamos evitar no futuro. Beijaria minha mãe algumas milhares de vezes, abraçaria toda minha família, mostrando o Amor que sinto.
 

Se eu pudesse, mandava um monte de gente ir tomar no cu, xingaria quem precisasse, sem medo de que eles não percebessem que é apenas desabafo meu, nada realmente pessoal.

Se eu pudesse, acabaria com a fome, com a dor, com o sofrimento. Alimentaria uma tropa, doaria tudo a quem ainda precisasse de posses e bens, pois eu já estaria longe de ser comum, pois se eu pudesse, poderia tudo e, podendo, seria outro, completo, perfeito, inteiro.
 

Se eu pudesse, seria feliz e assumiria a liberdade de poder fazer tudo o que eu quisesse, sem me preocupar com nada, apenas pensando em viver o agora, sorrindo ou chorando.

Se eu pudesse, eu seria eu mesmo, em todos os momentos e situações.

Se eu pudesse, diria ao meu reflexo no espelho que nada é impossível, que tudo é uma questão de entender que qualquer um de nós, que respira o ar deste planeta e, mesmo que ainda muito no interior de sua parte, pode considerar-se humano, tudo pode.

Se eu pudesse, saberia que só por isso, só por ser e estar aqui neste momento único, tudo posso. E toda impotência tem seu início na crença de eu que só faria o que mais quero nesta breve vida... Se eu pudesse.
 



Canalizado em PVC por Ivan Volpe | texto abduzido por 4