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O primeiro NÃOQuarta, 9 de Julho de 2008Muito antes que ele soubesse, ela já o fitava com outros olhares. Lançava todo seu desejo lascivo em detalhes nada explícitos, mas tentava deixar claras suas intenções sem que ninguém as percebesse. Talvez, nem mesmo ele. O paradoxo fatídico de quem se deixa apaixonar. O convívio ampliava suas ambições, ela já não podia conter os toques acidentais, as frases de guerra em batalhas da conquista. Uma mulher, mas a cada dia mais perto de ser uma garota, inocente, brincalhona, uma adolescente na puberdade que não teria filtros para controlar seus hormônios conflitantes em fervor. Ele, um velho menino, já tantas vezes calejado pela rejeição e pela própria negação, como qualquer um que já amou e foi amado. Sem poder controlar-se nem mais um instante, ela ataca. Percorre os caminhos mais difíceis e, como em toda disputa por amor, cega-se à realidade e forja as situações propícias para o flerte e, consequentemente, para o sucesso. Palavras, palavras... Gestos oferecem sua pele, seus lábios saltados, seus passos alterados. Insiste na mentira concreta e simula a realidade a seu favor. Tudo parecia ser tão certo. E quanto mais ele dificultava a persuasão, mais ela se entregava. Até que o momento crucial chegou. Ela declara todas as suas intenções em palavras doces e duras ao ouvido de quem, já tomado por tantos outros amores, disse não. E o não não é resposta, não o poderia assim dizer. Como aceitar esta contradição? Tudo estava a seu favor, tudo estava pronto para acontecer. Mas em vão, assim como o amor deve ser. Mas mesmo assim insistia, pois como poderia se deixar vencer? Ela, pronta para tudo, tentava mais e mais, fazia promessas, apelava às pressas antes que o momento escapasse. E ela já era vitoriosa, mesmo sem saber, posto que às vezes, o mais experiente e confiante deixa-se levar pela fraqueza de suas próprias emoções, enterrando-as no fundo do peito sem fazê-las aparecer, perdendo as chances possíveis e impossíveis, para sempre, diferente do que ela fez. Enquanto o dia chegava, ela dormia regada às lágrimas de outro amanhecer, sozinha, sem entender que a maior dádiva que ele poderia tê-la concedido seria esta mesmo, de deixá-la crescer, aprendendo que mais dói ao peito de quem nega do que ao de quem pôs tudo a perder.
Canalizado em PVC por
Ivan Volpe | um já regressou
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