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Metamorfose Toalética ou Consciência Ecológica

Segunda, 14 de Julho de 2008

Dizem que a gente é o que a gente come.

Pensando nisso comecei a investigar as conseqüências toaléticas do que a gente engole, afinal determinadas coisas mexem profundamente com o aspecto de nosso tradicional xixi-cocô.

Vejam o aspargo, por exemplo, um inocente e saboroso legume, que vai bem com a salada, no risoto ou numa simples sopinha pra espantar a friaca de julho. Apesar do aspecto trivial, o aspargo é responsável por um xixi mais fedorento que muito cocô amador.

Já o repolho, a alcachofra e o feijão (preferencialmente com torresminho) são célebres pelos gases tóxicos com que nos brindam eficientemente, questão de minutos após a ingestão de comes que envolvam estes agentes. Ao ponto de que ouvi falar que tramita uma lei para criar, nos restaurantes e bares, ao lado da área de não fumantes, uma área para não-comedores destes e outros produtos com efeitos similares. Mas acho que vai ainda gerar certa polêmica.

Muita gente, no entanto, se identifica com o Michael Douglas e não percebe efeitos mais psicodélicos dos alimentos que deliberadamente ingerimos. Basta uma olhadela, pode ser de esguio, mas sem culpa, antes da impetuosa descarga para perceber o tom avermelhado dos bólidos subseqüentes de uma excessiva ingestão de beterraba. Ainda na temática dos bólidos sólidos, o folclore popular alemão (estranho não ser francês ou italiano) já batizou o fenômeno igualmente psicodélico que o bom bebedor de vinho conhece: o schwarze scheisse, ou, em tradução livre, leve e solta, a merda negra.

Enquanto debatia estas e outras questões tão fundamentais quanto, na mesa, em algum lugar de Minas, o amigo Grauss se dirigia ziguezagueante ao toalete para regularizar o nível de líquido no corpo após seu oitavo ou centésimo copo de cachaça mineira. Após nossa conversa, com seu cérebro mais permeável que de costume, levou o copo vazio ao urinol e decidiu que havia ingerido tanta, mais tanta cachaça, que o xixi seria pinga pura. Não teve duvidas: serviu o xixi gentilmente no copo e colocou-o de forma mais altruísta e sustentável possível em um copinho para que o próximo bêbado pudesse consumir a marvada, no primeiro gesto que já se ouviu falar de reciclagem de pinga.

Isso sim, meus caros, é consciência ecológica.
 



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