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Como antigamenteQuarta, 6 de Agosto de 2008Aí tudo bem se, de repente, tudo ficar cinza e nunca mais tornar à cor. Ninguém mais estava disposto a reverter a caótica situação que, já fadada ao fim desde o início, tomava proporções incontroláveis e absurdas. Pois é, não fazem mais seres humanos como antigamente... Se por um lado isso pode ser algo bom, por outro somos todos um bando de gafanhotos esfomeados à procura de migalhas restantes deste planeta já quase todo consumido. Não fazemos mais quase nada como antigamente! Os carros são mais velozes, mas as rodovias são mais esburacadas e seus limites de velocidade são hilários. A corrupção é parte da política e a impunidade é votada às claras no congresso. O presidente era do povo, agora nem se sabe mais se ele se lembra quem é o povo. Será que ele consegue falar a palavra povo após seus tragos infindáveis? A bebida é legalizada, mas um bombom de licor pode te levar à prisão se for consumido antes de dirigir, mas ninguém será preso se for flagrado bêbado ou drogado exercendo sua função pública. O sexo é virtual, e cada vez mais caminha para o banal. O computador substituiu o contato humano, destruiu as cartas e até mesmo o telefone. Bom por um lado, mas criador de incapazes da escrita por outro. E não se fazem mais filmes como antigamente! Antigamente, dois malucos subiram em motocicletas coloridas, após darem um golpe que rendeu alguns trocados, e saíram pela estrada sem destino, em busca de prazer e aventura, aprendendo com a vida. Hoje, um desses malucos virou o diabo de outro filme de motocicleta, mas o mocinho pega fogo nos efeitos especiais mais tecnológicos. Hoje, nem precisaríamos desses atores... E continuamos a depender das criações modernas, que poluem nossa vida e deixam marcas de fuligem na alma de quem, ao menos uma vez, jogou bituca de cigarro ou papel de bala pela janela. Antigamente, por mais tapados que fôssemos, e éramos mesmo, ainda podíamos olhar nos olhos de quem fosse, lançar um sorriso e um cumprimento despretensioso e encarar qualquer outro como igual, posto que éramos essencialmente humanos. Mas tão pouco o fizemos que só hoje pensamos nisso e tentamos reverter o quadro. Muito melhoramos, muito evoluímos, mas tanto nos esquecemos de quem somos, que talvez só o fim de tudo o que conhecemos possa, enfim, nos transformar em gente novamente. Como antigamente, mas melhorados, numa nova versão que dispensará testes, pois aceitaremos que somos os mesmos (iguais) de sempre.
Canalizado em PVC por
Ivan Volpe | texto abduzido por 2
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