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Trajetória de bronzeQuarta, 13 de Agosto de 2008A idéia de que o Brasil é uma potência olímpica todos sabem, não é verdadeira. Longe disso. No entanto, a mídia quase nos faz acreditar que sem planejamento adequado, mas sempre com a ajuda do acaso, da superação e de muita, muita sorte os atletas brasileiros poderão conquistar as medalhas de ouro e a glória nacional. Nesta semana de início das Olimpíadas, Galvão Bueno _o porta voz da esperança do esporte brasileiro_ já alertava: “Olimpíadas não é Pan-Americano, a coisa não é tão fácil assim”. Estranho. Nunca, em nenhuma mensagem da TV Globo durante a transmissão do Pan-Americano no Rio de Janeiro ano passado foi informado ao telespectador que o nível da competição não era alto, não era de excelência. Mesmo assim, por conveniência e audiência os medalhistas foram alçados a heróis brasileiros. E as transmissões foram recheadas da mesma mensagem: a esperança do tão sonhado e definitivo: “agora vai”.
Exemplos: O Brasil vencer a Austrália, atual campeã mundial, no basquete feminino. Possibilidade defendida por Hortência e Cléber Machado do primeiro segundo ao final do jogo. As australianas ganharam a partida por mais de 15 pontos de vantagem. No handebol masculino vencer a Croácia, campeã olímpica, narração do SPORTV sem nenhuma propriedade. O que vale mais uma vez é o sentimento olímpico. Os croatas venceram o jogo por mais de 15 gols de vantagem. Todos que jogam e que alguma vez tiveram a vontade de acompanhar alguma história deste esporte no país sabe que o Brasil participar de mais uma Olimpíada já é uma grande evolução para o handebol. O vaivém da emoção é o que vende a olimpíada. Para os brasileiros que acompanham inteiramente os Jogos resta ao final sempre a sensação de que algo mais poderia ter sido feito e de que, principalmente, o bronze segue sendo o melhor que podemos fazer. Ontem não tinha visto as lutas de Tiago Camilo, judoca prata em Sydney e bronze, agora, em Pequim. Fiquei pasmo e pensativo com a linha fina da Band, no meio da tarde: “a trajetória do bronze”. Não é o mérito da medalha a ser discutido e a carreira do excepcional judoca brasileiro. O tom da cobertura é o que me irrita. - Vc viu que o brasileiro ganhou outro bronze? Perguntou, a minha empregada. - É, eles só ganham medalha de bronze, né?, respondi. - É...também eles nunca têm patrocinador, dinheiro, nada...fica só no bronze mesmo”. É engraçado como certas mensagens acompanham os brasileiros por décadas e décadas. Na cabeça da Sueli, minha empregada, ficou a correta. Ela sabe que isso não muda faz tempo e que provavelmente nunca vá mudar. Já o Galvão Bueno tem certeza de que todo o povo brasileiro vai torcer sempre da forma errada. Na verdade ele sabe muito bem o que importa: enganar todos os esperançosos na frente da TV.
Por
Rodrigo Planet | mete a boca
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