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Mão na massa
Mão na massa
Quarta, 16 de Julho de 2008
Em 1969, aos 25 anos de idade, dois anos após assumir pela primeira vez cargo de diretoria no Vasco da Gama, Eurico Miranda iniciava sua trajetória nas manchetes de jornal. Naquele ano, o cartola ficou famoso pela matéria “A mão de Eurico”, publicada no jornal “O Globo”. O diário colocou na capa uma foto da mão do dirigente desligando a chave da energia elétrica do auditório do clube para adiar uma reunião do conselho que decidiria pela exoneração do presidente em exercício, na ocasião aliado de Eurico. Ali começava a carreira, sempre cercada de impunidade, do Barão do Futebol.
Após mais de 40 anos no poder, Eurico foi “dinamitado” do cargo de presidente do Vasco para alegria de todos. A mudança de poder era um processo emergencial, salutar e que deve dar fôlego ao clube carioca para planejar a quitação de dividas de mais de R$ 250 milhões deixadas pelo antigo dirigente.
As quedas recentes de Alberto Dualib do comando do Corinthians e do déspota esclarecido do futebol brasileiro confirmam sem dúvida nenhuma que os clubes estão ávidos de uma gestão profissional, independente de política e com foco unicamente em resultados e não aos projetos pessoais dos seus administradores.
A presidência de Roberto Dinamite, sem experiência administrativa comprovada, não é garantia de que no Vasco este novo processo será bem sucedido. No entanto, nada melhor que um ídolo da torcida para tentar dar novos rumos ao sempre conturbado, fraudulento e viciado ambiente de São Januário.
O desafio de Dinamite pode ter como exemplo o alvinegro do Parque São Jorge. A atuação de Andres Sanches _também sem nenhuma experiência comprovada de gestão_ vem sendo sempre criticada, mas é fato que em pouco tempo o dirigente, ao menos dentro de campo, colocou a casa em ordem e deve _salvo algo muito inesperado_ reconduzir o Corinthians à primeira divisão do Brasileiro. Além disso, deve gerar caixa com a venda de jogadores como Dentinho, Lulinha, Herrera, que até pouco tempo estavam desprestigiados e sem nenhum valor de mercado. Lógico que nesse contexto há o mérito de Mano Menezes que conseguiu restabelecer algum padrão tático ao time.
Tenho certeza de que nada disso seria feito com a seqüência administrativa de Alberto Dualib, falastrão, praticante do nepotismo, da lavagem de dinheiro e de mistérios contábeis, processos semelhantes do seu companheiro Eurico Miranda.
É a hora certa para Roberto Dinamite trazer novamente dignidade e esperança aos vascaínos. E ser lembrado daqui a 40 anos por ter colocado a mão na massa.
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