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Futebol é coisa de mendigoTerça, 24 de Junho de 2008Estou em Floripa, o que é muito legal. Num computador, o que não é tanto. Mas o fato é que rodei mais de 700 km até aqui - sou de São Paulo - para ratificar algo que eu já sabia desde moleque: sou um mendigo do futebol. Daqueles que larga tudo por qualquer parcaria de partida. Que não sabe bem o que falar com um desconhecido caso ele não torça para algum time. O que aconteceu por aqui para eu concluir isso? É tudo culpa de um boteco. Com nome de anjo, o que é engraçado. Querubim. Ou Quero Briga, como é intimamente conhecido. De perigoso ele não tem nada. Mas de original, tem muito. O lance é que o boteco é meio sujo, aparentemente sem graça, mas vive lotado por reunir cinco televisões nas quais, no mesmo horário, rolam partidas diferentes de futebol. Entrei nele com alguns amigos no sábado e a confusão, no bom sentido, já estava programada. Num cantinho, corintianos viviam a amargura da série B e um outro tanto de torcedores se divertia com o fato de a Ponte Preta ter roubado os primeiros pontos do adversário na competição. Em outro canto, mas não menos de três passos dali, o Avaí, time da casa, fazia uma monte de gols. Ninguém ligava muito. O Figuera, adversário, tomava uma sacolada na TV do lado direito. Muitos vibravam. Ao mesmo tempo a Holanda, lá na Europa, ou melhor, na TV do fundão, caia diante da Rússia. Fala para o cabeçudo sair da frente. Eu, feito barata tonta, corria de uma TV para a outra. Queria ver todos os gols. Uns gritavam em um canto. Gol? Corre até lá. Que nada. Passou perto. O São Paulo vai jogar. Anigos que nunca se viram antes se juntam em uma mesa. Corintianos, ainda sentidos com a queda na Copa do Brasil, esqueciam de tudo por alguns instantes e gritavam pelo Sport. Gol do Cruzeiro. Corre para lá. Gritaria lá no fundo. Pênalti. Estava impedido. A bola nem entrou. No dia seguinte, a mesma coisa. O Palmeiras, meu time do coração, jogava fácil contra o Vasco. Eu comemorava com meia dúzia de desconhecidos e também com o dono do bar. O Luxemburgo vai para a seleção, ele dizia, mas deixará o Palmeiras líder. Ao mesmo tempo, os flamenguistas, na mesa ao lado, gritavam gol. Droga, o Flamengo vai arrancar. Opa, gol do Ipatinga? Agora vai. Gol do Grêmio? Nada, foi pênalti. E mais um. E outro. Gritaria. Paulistas ficam com raiva dos gremistas, maioria... em Floripa. Eles não ligavam e cantavam alto músicas inspiradas em gritos de guerra da Alemanha. Ali do lado, um pouco mais da Europa. A Espanha, a fúria mais boazinha do mundo, empatava com a Itália. Corre para aquela mesa que o jogo vale vaga. Na hora dos pênaltis, mudam de canal e colocam em Goiás e Santos. Absurdo. Volta para outra mesa. Não tem mais vaga. Vai de pé mesmo. Os italianos erram. Espanhóis, no bar, comemoram. Espanhóis? Que nada. Alguns farristas mesmo. Bagunça. Gol. Do Goiás. Festa. Tristeza. Da Itália. No meio de um lugar com tantas praias bonitas e beldades ainda melhores, eu implorando por aquela TV. Aquela gol. Ou aquela outra tela. Aquele pênalti. Um mendigo do futebol. Fanático? Que nada. nem havia discussão. Apenas diversão. E, afinal, o que não seria a vida se não a busca eterna pela diversão? Essa era uma das perguntas filosóficas da mesa enquanto a(s) partida(s) rolavam. A resposta, embora óbvia, eu deixei para descobrir mais uma vez amanhã. Tem jogo da Eurocopa. Em plena quarta. Durante a tarde. Lá no Querubim. Vamos aí?
Tá lá um corpo estendido no chão por
Dr. Peçanha | balançaram as redes
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