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Desilusão

Segunda, 8 de Setembro de 2008

O início da adolescência fora marcado já por uma grande paixão. Morava com os pais no oitavo andar de um prédio no centro da cidade. Havia outros três apartamentos no mesmo andar. Em um deles, um jovem casal. Ela, morena, cabelos lisos, olhos marcantes, corpo perfeito. Ele, nem fazia questão de lembrar.

Em geral, porém, apenas sonhava com a vizinha. Em um ano a havia visto duas ou três vezes no elevador ou no corredor do andar. E, além dos sonhos ou dos raros encontros, ouvia muito sua voz. Quase sempre em brigas e discussões com o marido. O jovem casal parecia não se importar com os vizinhos e expunham suas diferenças para todos ouvirem.

Ele gostaria de ter coragem, e idade, para ir até o apartamento dela, socar o vizinho briguento, como se as discussões fossem apenas por culpa dele, e arrancar de lá sua musa. Mas, obviamente, era apenas um observador daquela situação.

De tanto ouvir, conhecia já alguns dos gostos do casal. Sabia, por exemplo, que cada um era torcedor de um dos dois grandes times da cidade. O que o fez esperar por uma nova grande briga naquele final de ano.

Depois de muitas temporadas, os dois rivais finalmente voltariam a se enfrentar na decisão de um campeonato local. O que, certamente, seria um motivo a mais para nova briga. Num domingo à tarde, acompanhou com diferente interesse a final do torneio. Os gols saíram. Mas nada se ouvia do apartamento vizinho.

Fim de campeonato. Barulho nas ruas, em prédios próximos, mas nada dos vizinhos. Não aguentou a curiosidade. Silenciosamente deixou seu apartamento e se arrastou até a porta do jovem casal. Ouviu um choro baixinho. Do marido. A voz dela, de consolo. Alguns sons não compreendidos. Naquele dia, tão cedo, perdeu a esperança no futebol.



bibibi e bóbóbó por: Xandão | 4 já xingaram o técnico