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Watchmen

Quarta, 17 de Maio de 2006

* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais

Parece que foi planejado, mas não foi. Os editores do Morfina não pertencem ao PCC ou a qualquer máfia, resistência, grupo terrorista ou anti-terrorista.
Não somos ninguém, mas desde aquela data, quando os temas foram propostos, "Cuidado" era nesta semana. Ironia do destino.

Ontem, indo para minha casa depois que espalharam o medo na cidade falando sobre toque de recolher e outras barbaridades, me lembrei de quando vivi esta situação dia 11 de setembro, lá na terra do Tio Sam. Igualzinho, guardadas as devidas proporções.
Poucas coisas nos colocam em maior situação de impotência que o terror. Há tempos que a cidade de São Paulo trata seus moradores e visitantes com hostilidade, mas o que ocorreu nos últimos dias ultrapassou todos os limites do respeito e do bom senso.

Quem quer viver assim? Qual a solução? Casar e mudar? Mas e aí, você se muda e todos os seus queridos continuam no meio desta selva, tendo que sair de casa, pegar ônibus, metrô, ficar parado em trânsito, sentar a bunda no escritório que fica num prédio onde há suspeita de bomba, etc etc. Você muda, e aqui tudo permanece na mesma. A canção que o ministro entoava "vamos fugir" nunca foi tão utópica e idealista.

Milhões de ditos populares pipocam em minha mente agora. "O que não tem remédio, remediado está". Será mesmo? Será que a gente tem que engolir seco e seguir em frente, com medo constante, pro resto da vida? Será que o resto da vida é curto, ou que viveremos muito pra ver ainda mais horror?

Tá. Dramalhão mexicano mesmo. Ou melhor, colombiano. Palestino. Como quiser chamar. Sou dramática mesmo. Mas tô P da vida com tudo isso. Não há nada pior que a situação desconhecida, a solução não tomada, a decisão prolongada, a sensação de falta de recursos e de estar sendo enganado. Alguém aqui viu V de Vingança, Sin City, ou qualquer outro filme do gênero? A realidade imita a ficção, ou é mesmo o contrário?
Quando a justiça começa a ser feita "com as próprias mãos", o nosso cuidado tem de ser redobrado. Porque não sabemos nem quantas mãos são, nem a quem elas pertencem. É cada um por si. "Orai e vigiai."



devaneio de: Sil Curiati | 3! E o cordão dos puxa-saco cada vez aumenta mais!