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Vizinhança mambembeQuarta, 19 de Julho de 2006* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais Marquinhos nascera em uma casa muito engraçada. Não tinha teto, não tinha nada. Sequer ficava Rua dos Bobos, mas sim na Rua da Amargura. E a maldita residência também não era identificada pelo número zero, mas sim pelo 13.O pior de tudo é que o rapagote chegou ao mundo em noite de lua cheia. Dizem que ele saiu da barriga da mãe bem de frente para a diaba, que reluzia sorridente pela janela. Há quem jure, por sinal, que seu parto foi feito por um senhor negro, bem peludo, e com feições felinas. Pior do que isso, corre à boca miúda que o berço do pequenino quebrou em sete pedacinhos assim que ele foi depositado nele. Sorte que o pobrezinho não morreu. Ou azar, coitado, porque o bebê bateu a cabeça na queda e ficou meio atrapalhado. Não teve jeito. Com tanta zica assim, o rapaz se viu fadado a passar a vida toda na tal da Rua da Amargura. Ele tinha sonhos de sair de lá, viver uma vida melhor em uma casinha com jardim, uma garage grande e uma bela cerquinha, demarcada por uma reluzente caixinha de correio. Mas impelido de levar uma vida descende por causa do seu problema, se viu fadado a vadiar por aquela maldita rua cujo fim se perdia no horizonte cinzento. De qualquer forma, como nem tudo que fede é merda, ao menos ele não podia se queixar da vizinhança. Afinal, até que era divertido conviver com o Sérgio Mallandro, a Rita Cadillac e o Alexandre Frota, embora Marquinhos nunca entendera por que esse povo ia e voltava tanto daquele lugar.
Tá lá um corpo estendido no chão por
Dr. Peçanha | E que golaço
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