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Velhinhas e velinhas

Quarta, 21 de Setembro de 2005

* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais

Eu queria saber de onde vem este hábito de assoprar velinhas quando se faz aniversário.
Não faz o menor sentido ter que apagar fogo – ou luz, chama da vida e qualquer outro nome mais poético que queiramos dar – para celebrar mais um ano de vida. Teria mais nexo se o aniversariante tivesse que acendê-las, uma a uma, iluminando cada etapa de seu caminho. Apagar dá a sensação de “já passou, acabou e não importa mais”, e para mim, garota nostálgica por natureza – do tipo que sente saudades de coisas que jamais viu, vai entender! – isso é inconcebível.

Agora, se fizermos uma pequena modificação no léxico da coisa inserindo tão somente um “h”, trataríamos de “apagar velhinhas” no aniversário e isso sim pode ser bastante interessante.

Vejam bem. Não sou sádica nem maldosa. Ao contrário do que pensam (por eu odiar cavalos falantes), tenho bom coração e adoro velhinhas.
Mas imagine se, para cada aniversário, um ser humano tivesse que “apagar” uma velhinha. Tá, apagar é um termo pesado por ser um eufemismo do verbo “matar”. Então pensemos em assoprar. A cada data-querida, você deveria assoprar uma velhinha. E isto poderia ser representado como “um sopro de vida a alguém que já ventou bastante por aí”.
Teria um significado bem singelo e fácil de ser compreendido.

Infame? Muito. Este texto é o fim. Se eu fosse você, passaria mais um ano lendo o Morfs pra ver se aparece coisa melhor. Tem que aparecer, não é possível...
E se você for uma jovem leitora anciã, sinta-se assoprada por este povo maluco.

devaneio de: Sil Curiati | 5! E o cordão dos puxa-saco cada vez aumenta mais!