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Utilidade públicaSexta, 4 de Novembro de 2005* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais Embora não seja novidade, devo informar antes. Há anos, freqüento o bar do seu José. Fica em frente à minha casa, e é onde se encontra a tal da pinga canelinha, sobre a qual já falei alhures.Mas minha intenção não é falar dela. Quero hoje contar a história de mais um companheiro de copo, o João Armando, e prestar um serviço de utilidade pública. João Armando tem 42 anos e é mineiro de Santa Rita do Passa Quatro. Veio para São Paulo há uns dez anos e trabalha no cemitério de Vila Alpina, cavando covas. Isso faz dele um coveiro, ofício do qual não faz questão de se orgulhar. Quando perguntado, diz que trabalha com construção civil. Não me perguntem por quê. O que vale da história é que ele nunca teve uma mulher. Nem mesmo aquelas às quais se paga para obter favores. No entanto, isso não é uma opção. Na verdade, o problema é que João Armando é feio, muito feio. Semana passada, vendo-o chorar de solidão no balcão do bar, prometi que o ajudaria a encontrar uma mulher. E, como sei que tenho aqui um sem-número de leitoras celibatárias e ávidas por um homem simples, bom e devoto de Santa Edwiges, disse que com certeza conseguiria uma pretendente para dividir com ele o resto dos dias. João Armando aceitou a idéia. No entanto, fez algumas exigências: a mulher deve ser loira, de 20 a 25 anos, virgem, com carro (acima de 1998), casa própria e pelo menos vinte mil reais em aplicações. Como ele é tímido, além de feio e ter um eterno cheiro de cemitério (provavelmente devido ao trabalho), pediu-me para fazer a seleção. Por isso, mulheres, entrem em contato e mandem suas fotos por aqui mesmo. Ou apareçam no bar do seu José.
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Kleber Carrilho | Comentários
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