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Terça-feira Gorda

Terça, 28 de Fevereiro de 2006

* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais

O baile de carnaval pegava fogo. Três amigos se encontraram por volta das três horas da manhã. Começaram os relatos.

Matraca, depois de três vodkas, um Cynar, uma bebida azul esquisita e algumas cervejas, iniciou o relatório.

- Rapaz, peguei uma moça ali que ó... Coisa fina.

- Da boa mesmo? Como era? - perguntou o Poltrona, que segurava o sexto copo de Dreher, misturado com algumas cinzas de cigarro e umas coisinhas brancas que não estavam o incomodando em nada.

- Uma de olhos azuis. E você?

- Eu peguei uma loura por ali também. Parecia meio boa...

Entra na conversa o Major, irmão do Matraca, fã incondicional de Campari e Fernett.

- Eu dei umas beijocas numa garota que sambava que era uma maravilha. Era uma alemoa também. Tava meio escuro...

Só estava faltando o Coxinha. Ninguém sabia onde estava o moleque. De repente, chega o rapaz abraçado em uma loura gorda, suando pelo buço, de olhos azuis, cheia de samba no pé e amor para dar.

O Matraca disfarçou, o Poltrona deu um gole no Dreher, o Major matou seu Campari. Os três puxaram o Coxinha pelo braço e voltaram para o bar.

A Terça-feira Gorda sempre podia render mais que uma mesma galega tão bem alimentada para quatro moços tão simpáticos.

Mentex e Costela | 1 comentário