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Simpatia da banana

Quarta, 19 de Abril de 2006

* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais

Josilmara acreditava que tomar banho depois de comer, matava. Tomar leite depois de chupar manga, também.
Tinha plena convicção que gato preto dava azar e que quebrar um espelho daria 7 anos desta má sorte. O mesmo se passasse por debaixo de uma escada.
Como toda boa supersticiosa, em seu patuá trazia uma figa e um pé de coelho. O olho grego ficava pendurado na correntinha, mas do lado do fecho para poder ver o que vinha por trás. "Olho gordo de verdade é sempre pelas costas", costumava dizer.

Além disso, acreditava em simpatias, as quais eram usadas com diversos fins: de curar bicho-de-pé a arranjar emprego. Sempre funcionavam, ela se orgulhava. Podia demorar anos, mas através da simpatia, ela alcançava sua graça.

Um belo dia, soube de uma assistente social na cidade. Ia ensinar a mulherada a evitar filho. Como embuchar era a última coisa que queria na vida, e era mais ativa sexualmente que qualquer um de vocês, leitores, e de nós, escritores, resolveu comparecer.
Viu, atentamente, a borracha envolvendo uma banana. Anotou tudo com seu garrancho, compreensível só a ela. Marcou inclusive que era uma banana prata, e estava meio verde. A mulher termina a aula dizendo que aquele procedimento tinha mais que 99% de chance de ser seguro, não precisariam mais de chás, nem de rezas a Santo Expedito pra evitar nada (elas costumavam pedir ao santo das causas impossíveis pra fazer desaparecer o feto da barriga, ou pra não engravidar mesmo fazendo sexo em dia fértil). Era só seguir aqueles ensinamentos passo a passo no momento do ato, e tudo estaria bem.

Quatro meses depois, a assistente, de volta à cidade, recebe Josilmara já embuchada. E louca da vida, por sinal. Ao ser questionada pela funcionária sobre qual teria sido o problema, o porque daquilo acontecer depois de ela ter aprendido a evitar, Josi responde, com voz molenga:

- Olhe, eu anotei tudinho, mas esta simpatia que a senhora ensinou tá com nada, não. Comprei a banana prata. Tinha aquela camisinha que a senhora deu. No dia de ter sexo, coloquei a banana na coisa, com cuidado pra não amassar. Pra garantir ainda mais, deixei ela em frente à imagem do Santo Expedito, assim, de 99% de chance, ia ter mais, né? Depois do sexo, tirei a coisa, sem descascar a banana. Não saiu nem um pedacinho, ficou tudo certinho. Larguei a banana pro santo, mas o cão comeu depois. Agora tô assim, peguei barriga.... É culpa do cão, é? Ou anotei a banana errada?



devaneio de: Sil Curiati | 5! E o cordão dos puxa-saco cada vez aumenta mais!