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Simoni, Benito, Pepino. E Dom Pedro, é claro.

Sábado, 13 de Novembro de 2004

* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais

Já que o tema da semana exige um texto sobre discos velhos, não posso fazer nada. Tenho que falar sobre discos velhos.

E isso me lembra o meu primeiro disco. E o segundo também. Não, não pense que o meu primeiro foi do Balão Mágico. Esse foi o segundo. O primeiro era um disquinho solo. Qual era o nome disso mesmo? Sim, compacto. Um disco com um só lado, com uma só música.

O pior de tudo é que, no fim do regime militar, meu primeiro disco de vinil não foi de vinil. Não era preto. Era de qualquer coisa transparente, com uma semi-imagem da bandeira nacional colada por baixo. E adivinhe o que tocava! Adivinhou? Sim, era o Hino da Independência:

“Já podeis da pátria filhos
Ver contente a mãe gentil...”

É isso mesmo. Minha primeira consciência de um disco meu, só meu, foi do Hino da Independência. Essa talvez seja a razão pela qual até hoje eu goste de hinos: religiosos, patrióticos, futebolísticos. Hino é comigo mesmo. Sei todos decorados.

Falando em hinos de times, esse tem sido há muito o meu passaporte para os mais diversos lugares do Brasil. Sempre sei o hino dos times da cidade. E isso me faz sempre ser querido por taxistas, carregadores de bagagem, baristas e prostitutas locais.

É, acabei por não falar do Balão Mágico, da Simoni e outras coisas mais. Muito menos dos discos que o meu avô deixou de herança. Benito de Paula e Pepino di Capri ficam para a próxima. Voyage, Voyage e os compactos de carnaval do Sílvio Santos também.


por Kleber Carrilho | Comentários