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Se não pode vencê-lo, junte-se a ele

Quarta, 23 de Agosto de 2006

* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais

Outro dia, durante a terapia, me peguei falando "eu sou medrosa".
Caramba, como assim "SOU medrosa"? As pessoas têm medos, têm pavores e fobias. Não podem conviver com elas constantemente, ou se tornariam loucas ainda por cima.

Mas notei que meus medos estão se multiplicando com o tempo. Na verdade, se potencializando.
Eu me pego levando 4, 5 sustos dentro do carro, a caminho do trabalho, todos os dias. Medo de assalto. Uma moto que passa colada, um moleque vindo em minha direção, um carro que começa a cortar e colar demais... qualquer coisa leva meu coração à boca.

Eu tenho medo de ter tanto medo. Tenho medo de paranóias, e isto já é uma paranóia.
Tenho tentado controlar, mas não sei se é algo que só depende da gente. Alguns medos são nossos, e podem ser trabalhados com mais facilidade. Tenho medo de altura, por exemplo. Posso trabalhar isso de algumas maneiras: enfrentando ou evitando são apenas duas delas. 
Outros são causados por agentes externos, e estes, por fugirem do nosso controle, acabam tomando proporções desmedidas.

O pior de tudo é que me pego metendo os pés pelas mãos em várias situações, e depois, fico com medo. No momento tenho medo de não conseguir pagar minhas dívidas, e isso é um medo que vem em surtos e dá borboletas no estômago e suor frio. Talvez, se isso acontecer, eu descubra que a solução é virar assaltante. Com isso enfrentarei aquele meu outro medo e serei uma nova mulher... Bem pensado.



devaneio de: Sil Curiati | 2! E o cordão dos puxa-saco cada vez aumenta mais!