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Samba do turista

Quarta, 1 de Março de 2006

* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais

A gringa queria aprender a sambar de qualquer jeito. Após três dias de carnaval no Rio de Janeiro, isso tinha virado obsessão. Primeiro, ela olhava o movimento de quadril da brasileira. Depois, observava o balançar do busto. Por fim, fixava os olhos nos pés da mulata. E, mentalmente, tentava coordenar tudo.

Não parecia impossível. Então, partia para a prática. Começava a sacudir e a analisar as reações. Os homens em volta aplaudiam e gritavam, em “inglês”, interjeições de apoio: gudi, verigudi... Já as mulheres que estavam ao redor apenas balançavam a cabeça em sinal de desaprovação.

E a gringa tentava rebolar. Com uns cinco saquinhos de chupe-chupe de cachaça na cabeça, já tinha perdido a autocrítica. Levantava os braços, tremelicava os cabelos e movia os pés com passos céleres e desentrosados.

Lá pelas tantas, não agüentava mais de dor nas pernas e decidiu sentar. Ao seu lado, Daniell Experiença, um sujeito bastante conhecido nas redondezas de Ipanema e Leblon, elogiou a atuação da gringa. Profundo conhecedor de música, Daniell enxergou naquela dança uma cadência semelhante à da marcha-rancho.

O amor foi arrebatador. A gringa passou a morar no Rio de Janeiro e eles montaram uma academia de dança de salão. Além do sucesso profissional, Daniell finalmente voltou a sorrir, algo que não conseguia desde o fim do seu relacionamento com uma célebre compositora carioca, autora do hit “Samba do Turista”.

vem que é bão com a Rogéria | 4 vieram