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Quer ganhar dinheiro?
Quer ganhar dinheiro?
Quarta, 15 de Fevereiro de 2006
* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais
Quando nem havia completado 12 anos, Marcelo já tinha problemas com jogos. Mas o ponto zero de sua história pode ser considerada a vez que apostou um dedo em uma rodada. Não o seu, claro, pois não era louco. Foi o de sua "noiva", Lucinha.
Quer dizer, na verdade ela era apenas uma garotinha do bairro, que se dizia apaixonada por Marcelo. Entretanto, ele achou-se no direito de, aos 15 anos, apostar o mindinho da menina em uma partida de Banco Imobiliário Jr. com seu vizinho Hiroto.
Desesperado por ter perdido seu hotel na Av. Atlântica, Marcelo foi na onda do garoto oriental, descendente de pessoas da Yakuza.
– Mas Lucinha, você disse que gostava de mim. Eu te falei que vou conversar com seu pai e pedir sua mão. Logo, seria somente um adiantamento – explicava Marcelo.
Nunca mais se viram.
Com o passar dos anos, Dauto viveu muitos problemas como esse devido à jogatina. E buscar ajuda profissional não resolveu seus problemas, muito pelo contrário.
Aos 28, entre indas e vindas em grupos de apoio a viciados em jogo, Dauto, enfim encontrou-se. Ao passar um tempo com os Anjos Anti-Aposta, reconhecida associação de ex-dependentes dos dados, fichas e similares, ele parecia ter vivido um milagre. Em dois meses, Dauto passou de dependente crônico a um dos mais respeitados palestrantes da casa. Porém, no quarto mês, quando já fazia parte da direção, ele teve uma recaída.
– Como assim, perdemos a nossa sede no jogo? – questionava atônito, Jonas, principal diretor dos Anjos Anti-Aposta.
E foi deste modo que Laércio sumiu mais uma vez pelo mundo, sem nunca perder algumas características. Sempre cobria as apostas dos outros e não fugia da raia mesmo que isso significasse envolver outros com seus dedos e casas, nas rodadas.
Ah, e sempre tomou o cuidado de mudar de nome, a cada passo em falso. Como disse, de louco ele não tem nada.
Mas, mudando de assunto, você está interessado em ganhar uma bolada? Trata-se de uma verdadeira barbada, coisa de pai para filho, mesmo. Seguinte, um amigo meu, nigeriano, está aqui em São Paulo, mas ganhou na loteria africana. Foi azar do cara, ele me disse, sair do país antes de saber que tinha ganho o prêmio, mas se você me der uma força, podemos recuperar o bilhete e, assim, a fortuna, sem nem mesmo precisarmos apostar. Para isso, basta você enviar um e-mail para o meu amigo e ele passará os detalhes para você.
Tome nota: bwana.tutu@hotmail.com
Vamos ficar ricos, vai por mim.
Abç,
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