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Quem Quer Ser um Milionário

Quinta, 27 de Julho de 2006

* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais

Certa vez, fui em um rodízio de comida japonesa que uma barraca de cachorro-quente havia promovido. Estava na promoção, então eu achei que valia a pena. Acho que o sushi não me fez muito bem, porque pouco depois de comer, perdi a consciência. Quando acordei, estava jogado na calçada, vestindo um paletó rasgado e com um chapéu à minha frente.

As pessoas devem ter me confundido com um mendigo, porque no chapéu tinha dois milhões de Cruzados Novos em moedas de dez centavos. É, era um chapéu bem grande.

Dois milhões de Cruzados Novos! Quem diria! E eu havia zombado do teste vocacional que disse que meu verdadeiro talento era ser mendigo.

Era muito dinheiro para a época, não era o tipo de quantia que você simplesmente poderia sair gastando. Um volume desses de dinheiro merecia ser investido em alguma coisa grande, como ações de uma empresa de petróleo de algum país pequeno do Oriente Médio, ou papéis aparentemente sem valor emitidos pelo governo de Dudinka.

Consultei o gerente do meu banco e ele recomendou comprar selos com a imagem do Elvis. Do Elvis Costello. O gerente era fã do cantor e dizia que um dia, com o lançamento da trilha sonora de Notting Hill, ele seria valorizado.

Mas eu acabei tendo uma idéia melhor. Gastei tudo no rodízio japonês da barraca de cachorro quente. Acordei sete dias depois, na sarjeta, com o chapéu bem grande ainda mais cheio de moedas. Tive um lucro de 200%.

Fiquei multimilionário em pouco tempo. E foi aí que tudo começou a ruir. Peguei o hábito de freqüentar cassinos clandestinos e gastei toda a minha fortuna em partidas de burro-em-pé. Perdi tudo: o dinheiro, os carros, as mansões. E até mesmo o chapéu bem grande.



De acordo com Daniell Rezende | Comentaise!