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Quem puder, responda
Quem puder, responda
Sexta, 11 de Fevereiro de 2005
* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais
Todo carnaval me traz algumas perguntas que não se calam:
Por que todo o mundo “marcha” as marchinhas alternando os indicadores apontados para o alto e arrastando os pés?
Por que as pessoas dançam frevo segurando um guarda-chuva colorido?
Qual é a graça de ir atrás do trio elétrico?
Por que todo samba-enredo tem sempre finais de versos com “i” para rimar com Anhembi e Sapucaí?
Por que toda escola de samba mostra uma história que de alguma maneira relaciona os deuses gregos com a plantação de laranjas no interior paulista durante o período colonial?
Qual é a diferença entre as notas 9.9 e 10 no carnaval carioca?
Por que essa é a única época do ano em que se usa a palavra “quesito”?
Por que todo carnavalesco é gay?
Pra que servem o Carlinhos de Jesus, o Joãosinho (com “s”) Trinta (que Deus quase o tenha) e o Jamelão?
Por que todo presidente de escola de samba é bicheiro e ninguém prende o cara no meio da Velha Guarda?
Por que existe Velha Guarda?
Por que os mestres-de-bateria apitam durante todo o desfile?
Por que as baterias recuam?
Por que as mulheres ficam de peito de fora por qualquer motivo, mesmo quando estão representando a Virgem Maria no momento da anunciação?
Por que eu vou aos bailes de carnaval?
Por que quem não gosta de carnaval vai a "retiros espirituais" nessa época?
Por que eu me pego assistindo aos desfiles depois do baile de carnaval, às oito horas da manhã, bêbado?
Por que fico rouco na quarta-feira de cinzas de tanto gritar “é, é, é, é, é, coitado do jacaré”?
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