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Quem Faz o Terror?
Quem Faz o Terror?
Terça, 29 de Novembro de 2005
* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais
O terror da forma como a gente sempre imagina, sendo causado por alguém do oriente médio em uma ação suicida, é uma coisa muito distante da nossa realidade. O que a maioria esmagadora sabe a respeito é o que é dito nos meios de comunicação.
Era a mesma impressão que eu tinha. Até que em setembro tive a oportunidade de produzir a exposição fotográfica do fotógrafo baiano Rogério Ferrari. Dono de uma visão extremamente politizada, Ferrari passou quase três meses nos territórios palestinos ocupados pelo exército israelense no ano de 2002. Foi com a cara e a coragem, viajando de forma independente, sem ser enviado por nenhum veículo, com a ajuda financeira de alguns amigos.
Nesse período morou na casa dos cidadãos palestinos, que o receberam como um amigo de longa data o receberia. Talvez até melhor. O que tinha de melhor na casa era oferecido a ele.
A proposta de seu trabalho era retratar o cotidiano do povo palestino, desarmado de preconceitos, sem querer tomar partido de nenhum dos lados neste conflito que já dura quase 50 anos.
Obviamente que em diversos momentos a questão dos terroristas e dos homens-bomba apareciam, em conversas ou na ação destes. O que o tocou foi a motivação que leva muitos destes homens a cometer este último ato de desespero ato. Ao contrário do que pensamos, que tratam-se de fanáticos religiosos, na verdade este é o útimo grito contra a apatia generalizada.
É óbvio que não quero de forma alguma justificar a ação terrorista. Matar civis, crianças, mulheres e idosos é algo intolerável. Tanto quanto atirar dois aviões repletos de passageiros contra um prédio também repleto de civis.
O que poucos ficam sabendo é que isso é uma resposta aos ataques do exército israelense contra áreas residenciais onde a maioria dos moradores são trabalhadores, mulheres e crianças. Quando Ferrari viu pela primeira vez os tanques do sexto mais poderoso exército do mundo investir contra crianças que não tinham nada com que se defender além de pedras e pedaços de madeira, tudo começou a ficar mais claro. Por que ninguém pensa no terror causado não pelos palestinos, mas aos palestinos.
Um homem de família que perdeu tudo, que viu os filhos morrerem na explosão de um míssil, que não tem mais onde trabalhar e que não tem treinamento militar não vê outra alternativa senão se atirar contra seu algoz com o corpo coberto de explosivos.
É como eu disse, não existe justificativa para atos de terror, da mesma forma como não existem justificativas para soldados armados com metralhadoras atacarem grupos de jovens que tentavam chegar em casa depois de irem à escola. Quem causa mais terror numa situação como essa?
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