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Quem avisa, amigo é

Quarta, 3 de Maio de 2006

* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais

É sabido por poucos que, no dia dos namorados, nunca se deve sair em um grupo com número par. Explicando: a não ser que você seja casal, jamais deve ser o número par da contagem de pessoas do grupo. Atrai um azar desgraçado.
Não é uma lenda urbana, mas pode provocar uma.

Aquela turma de 8 resolveu ir ao cinema ver um filme nacional feito sobre o ET de Varginha, bem no dia 12 de junho, na sessão das 23h59. Produção boa, até. A câmera tremia menos que em A Bruxa de Blair, e o que eles diziam ser arquivos de cinegrafistas amadores, tinha uma iluminação bastante aceitável. Não que desse pra ver o tal ET, que mais parecia um bode tentando se equilibrar em duas patas. Mas quem conhecia a cidade, não negava que era mesmo Varginha.
Pois bem. Passados 4 minutos de filme, quando tudo ainda era bastante tranqüilo e o anti-herói nem tinha sido apresentado, ouve-se um grito da poltrona de número 8. Não era numerada, mas como sentaram-se todos lado a lado, a contar do corredor, a poltrona de número oito era aquela que a tal pessoa jamais deveria ocupar por não dever nem estar com aquele grupo, àquela noite.
Uma picada. Era uma picada, claro. Havia sangue na calça jeans do rapaz, que acabara de chegar com sacos de pipoca. Primeiro os amigos desconfiaram daquela situação meio feminina. Logo, dando um pouco mais de atenção ao moço, resolveram investigar e encontraram uma seringa presa no tal assento, com uma etiqueta que dizia HIVO.
Estranharam. Minutos depois perceberam que era só HIV, e que o O era uma carinha malvada, desenhada como provocação. Ele havia sido infectado!
Saíram todos correndo do cinema, ainda em grupo - teimosos que só vendo!, e levaram o colega ao pronto-socorro mais próximo. Explicaram o que havia ocorrido e, imediatamente, enfermeiras loiras, peitudas e semi-nuas, muito gostosas (esta é uma lenda urbana, caso você não tenha conseguido identificar) o colocaram em uma maca, sem as calças jeans ensangüentadas, e o levaram para o banheiro enquanto gemiam lascivamente.
Ficaram horas e horas lá dentro para saírem cansadas, descabeladas, e meio desabotoadas, com manchas de batom. Os amigos foram verificar o estado do pobre sofredor e o encontraram deitado numa banheira cheia de gelo, com uma garrafa de Quilmes na mão. No espelho, em batom vermelho, os dizeres "Llevamos tu rim izquierdo. Bájate la cerbeza porque es diurética y vá a arrudar lo que sobró a funcionar merror. La garantia soy djo."
Não é preciso dizer que o amigo tinha virado praticamente um zumbi, e que se alguém ficasse lá por mais alguns segundos, corria o risco de perder os miolos.

Esta história é real, e serve para atentar a todos do grande risco de sair em grupos de números pares na noite do dia dos namorados. Envie isso a 33 pessoas nos próximos 7 segundos, e você estará livre da maldição para sempre, não tendo mais que sair correndo da turma quando, de repente, sem ser convidado, chegar o temido número par.

devaneio de: Sil Curiati | 3! E o cordão dos puxa-saco cada vez aumenta mais!