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Sábado, 2 de Setembro de 2006

* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais

    Carlota era uma menina preguiçosa, mas muito preguiçosa mesmo e não é força de expressão isso. Para se ter uma base, a gestação dela demorou cerca de 14 meses para acontecer e ao nascer, não chorou. Apenas soltou um leve bocejo.
E o passar dos anos só piorava seu caso. Na época de escola ela pensava em criar uma máquina onde se depositava um livro em uma extremidade e o conhecimento ia sendo enviado diretamente para o cérebro, sem aquele desperdiço de tempo de se ficar lendo, pensando ou fazendo contas.
Na escola ela era campeã de imitação de pedra e de arvore. Conseguia ficar horas parada sem se movimentar, mas não pela concentração, mas pela preguiça de se mexer. Nas aulas de educação física, ela perdeu uma corrida para 2 lesmas, um bicho preguiça e um tatu bola.
Seu sonho sempre foi se tornar uma cientista, para diminuir a velocidade da circulação sanguínea. Com isso ela conseguiria diminuir o metabolismo e poderia passar mais tempo dormindo.
Ela conheceu o primeiro namorado aos 27 anos. Mas não é porque ela parece um cramulhão do avesso, mas sim porque ela tinha uma preguiça danada de abrir a boca para beijar os pretendentes.
Seu pai dizia que um dia ela criaria raízes, mas segundo ela, isso não aconteceria porque “criar raízes dá muito trabalho”.
Hoje essa moça é muito feliz porque encontrou sua verdadeira vocação e ganha a vida como uma estátua viva na frente do teatro municipal. Existem relatos que as estátuas verdadeiras já perderam uma disputa de quem fica mais tempo sem piscar.”

Texto em homenagem a minha amiga Maiara Sellani, que só é menos preguiçosa que eu


nós fomos na fazendo visitar o bucuru com o Denner Gomes | [n] comentários