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Perigosas PeruasQuarta, 1 de Fevereiro de 2006* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais - Marquito, seu porra, fica aqui, caralho. Larga a mão de ser louco.- Não, tem que pontuar. Tem que pontuar. Eu quero mulhéis. - Mais? - Mais. - Cacete, moleque, já não chega a cigana? - Não. - E aquela mendiga? - Não. - E a punk? - Pfff - A oncinha? - Nop. - A que parecia o Aleijadinho chega, vai? - No, no. - Porra, tudo bem que é Carnaval, mas tudo tem limite, Marquito. - Doutor, não é simplesmente carnaval. E sim “é carnaval, é carnaval, é carnaval...” (cantarolando Chico). - Olha aí, desse jeito você vai fazer merda, hein. Eu não vou te segurar. Você ta caindo de bêbado. - Fica frio, Doutor, não tem como eu cair. Afinal, eu não me chamo Caio. - Aff. Bêbado eu agüento, mas trocadilhos infames já é demais. - Ah, fica quieto e bebe, vai. Olha só, olha só...mulhéis. Vou nessa, fui. - Não, caralho, não vai lá, não. São homens fantasiados de mulheres, seu burro. É o famoso bloco Perigosas Peruas... Mas era tarde demais. Depois daquele fatídico carnaval de 1998, em Ouro Preto, Marquito sumiu. Dizem que era ele na TV com um cocar na cabeça e um minúsculo tapa-sexo no carro abre-alas da Mangueira, no ano seguinte, mas ninguém tem certeza. A não ser, é claro, o Doutor.
Tá lá um corpo estendido no chão por
Dr. Peçanha | Apontooooou. Guardou!
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