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Pequenas histórias supersticiosasQuinta, 20 de Abril de 2006* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais Hércules era um sujeito supersticioso. Desses que não falam "azar" porque dá azar. Chamava "azar" de "má sorte". Depois, concluiu por lógica que "má sorte" também dava má sorte. Perturbado, acabou no hospício, dividindo sala com um sujeito que achava que era um minotauro.Teseu era um sujeito supersticioso. Começou pendurando uma ferradura sobre a porta de seu quarto. A maré de azar continuou, então pendurou mais uma. E mais outras. Já eram mais de quinze, quando ele bateu forte a porta e as ferraduras desabaram sobre ele. Morreu, coitado. Guto era um sujeito supersticioso. Nas sextas-feiras treze não botava o pé na rua. Sequer levava seu cão, Zeus, para passear. Ficava trancado em casa e nada o faria sair. Nem um incêndio. Morreu queimado. Perséfone era uma mulher supersticiosa. Andava por aí sempre com um pé de coelho preso em um chaveiro. Com essa não aconteceu nada. O nome estranho já era desgraça o suficiente. O problema todo é que esse negócio de superstição dá um baita azar.
De acordo com
Daniell Rezende | 2 pessoas já deram o comentaise.
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