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Pedido

Segunda, 1 de Agosto de 2005

* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais

- Éder, você quer casar comigo?
- Como?

- Você quer casar comigo?
- Tá doida, Daniela? Quem tem que fazer esse pedido sou eu.

- Tá bom, então faça.
- Já imaginou que coisa mais ridícula, a gente contando pros nossos filhos que foi você quem me pediu em casamento? Não, assim não. Quem tem que fazer o pedido sou eu.

- Tá bom, então faça.
- Vou fazer.

- Faz, logo, Éder. Já namoramos há 12 anos. Faz logo o pedido.
- Tá, tá. Mas calma. Sem afobação.

- FAZ LOGO, PORRA!
- Tá bom, mas larga esse garfo. E a faquinha de pão... E pensando bem, o pão também. Ele tá meio duro e pode virar uma arma branca num momento de... de...

- VAI, ÉDER.
- Ok, ok. Daniela, você quer...

- Sim! Sim! Por Deus, sim!
- Mas eu nem disse nada. Quer esperar?

- Ok. Fale, então?
- Daniela, você quer ca... ca... ca...

- Vai, vai... fala.
- Ca...sar... co... co... Larga o pão!

- Tá, já larguei. Agora fala.
- Você quer... largar a faca também! É de manteiga, mas nunca se sabe.

- Vai, Éder. Deixa de coisa.
- Mão na nuca! As duas! Vai! Senão não falo

- Tá, tá.

Assim que Daniela pos a mão na nuca, em um gesto rápido, Éder correu em direção à porta. Já virava a maçaneta, para ganhar a liberdade da rua e nunca mais ver Daniela, quando foi atingido por algo. Éder se esqueceu que Daniela sempre levava um baguete de 7 meses em um dos bolsos. O esquecimento foi fatal.

Nunca o dito “a mulher fisga o homem pela boca” fez tanto sentido à um casal. E nunca a cabeça de Éder doeu tanto.

Um semana depois, os dois se casavam em uma paróquia perto da casa de Daniela. Éder nunca mais comeu baguete.



escrevi e saí correndo: Fábio Inverídico | 4 comentários