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Ouviram do Ipiranga as Margens Maneiríssimas
Ouviram do Ipiranga as Margens Maneiríssimas
Quinta, 8 de Setembro de 2005
* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais
Reescrevi o hino nacional. Eu sou mesmo um sujeito patriota e achei que seria uma ótima maneira de demonstrar meu apreço por esta nação imensa. Como todo hino nacional, ele fala de lutar pelo país, matar e morrer. Começa, aliás, com a singela frase:
"Matar, matar, matar".
Depois emenda com "Morrer, morrer, morrer", que é pra mostrar que não vai ser moleza. Acho que o pessoal vai gostar disso.
A parte de elogiar o país foi mais complicada. Tive que procurar adjetivos que exprimissem toda a maravilha deste lugar. Entraram algumas coisas.
"Essa pátria supimpa".
"Esse país que é bom pra cacilda".
"Tá que tá".
Inverti todas as frases (só o "tá que tá" é que continuou sendo "tá que tá") e ficou pronta a minha nova versão para o hino nacional. Para ficar mais moderno, dei o nome de "Cha-cha-chá do Brasil" e o ritmo passa por vários exemplos do cancioneiro popular, indo da marcha-rancho ao xubuca, uma toada tradicional de Rondônia, cujo principal instrumento é o plástico-bolha.
Termina com "Matar, matar, matar, morrer, morrer, morrer" novamente, pra frisar bem que a coisa é complicada.
Pra ficar bem brasileiro, na gravação eu convidei a Chrissie Hynde, o Ron Carter e o Jimmy Cliff, três grandes celebridades nacionais. O próximo passo é sugerir uma nova bandeira. Acho que um negócio meio Andy Wahrol ficaria legal, com a foto da Marilyn, quem sabe.
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