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On The Road AgainQuinta, 26 de Janeiro de 2006* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais Às vezes eu ouço o chamado da estrada. Ela me diz "venha". E eu vou. Ah, a estrada. Já viajei muito por aí, sabe? De carona, carregando o meu contrafagote. Já me disseram que, pra estrada, era melhor eu levar uma gaita ou, no máximo, um violão. "É mais fácil de carregar", diziam. Mas nada tem mais a ver com a estrada do que o meu contrafagote. Na minha última viagem, peguei carona com um circo mambembe. Em troca da carona, tive que fazer o papel de domador de leões. Pode parecer arriscado, mas eu tinha que fazê-lo para seguir viagem. Além do mais, como eles não tinham nenhum leão, acabou não representando nenhum perigo o fato de eu ser o domador. As apresentações da trupe faziam sucesso por onde passávamos. Infelizmente, não chegamos a passar por muitos lugares, já que a gasolina acabou entre a segunda e a terceira cidade. De lá, o pessoal do circo mambembe pediu carona a um vendedor ambulante de elixir da juventude. Eu fui junto. Em troca da carona, precisei fazer o papel de velho que fica jovem depois. Não deu muito certo porque quem sobrou pra fazer o papel de jovem foi a mulher barbada. As pessoas começaram a achavar que o elixir fazia a pessoa mudar de sexo e crescer a barba. Acabamos vendendo três frascos do elixir, mas o dinheiro não bastou para que continuássemos a viagem. Voltamos todos - eu, o circo mambembe e o vendedor ambulante - de carona em um caminhão de mudanças. Em retribuição, tivemos que fazer o papel de móveis. Eu era o criado-mudo.
De acordo com
Daniell Rezende | 5 pessoas já deram o comentaise.
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