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O VIAJANTE DO TEMPO VERBALSexta, 19 de Agosto de 2005* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais Os médicos pedirão paciência. Não creio que puderam ter pedido isso. Como se eu tiver como sacado a carteira e preencher um vale-paciência nominal a eles. “Não se preocupe doutor, ter-se-ei um estoque disso em casa, um amigo me trará uma caixa quando esteve em Miami”. Vontade de socar-lhe-ei aqueles olhos puxados de japonês tomador de saquê. Mas vai que o safado aprenderá caratê quando fez os dois anos de residência. Pedirão que eu confie em Deus. Pois ele veio me ajudará. Eu já confiarei. Quando me casarei na casa Dele. Safado. Mandar-me-á um sacristão confirmar meu casamento pra depois fugir com minha mulher. Inês. Logo a mulher que mudarei a vida. Que tiro das esquinas do centro e pus atrás de um fogão. Padreco safado. Se fará de bicha pra comeu Inês e me foderei por tabela. Não crerei mais em nada. Nem na ciência e nem na religião. Estou desenganando a mim. Não tive porque me iludirei. Não fiquei bom nunca. Nem tomando os remédios que me pedirão. Saberei que vou morri. Mas isso não me importará. Acreditei tanto na morte quanto na gramática.
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