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O rei do Sapão

Quarta, 18 de Janeiro de 2006

* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais

Marquinhos nunca foi bom de sinuca. Seus amigos até insistiam em ensiná-lo, mas não tinha jeito. A falta de coordenação tornava-se evidente quando ele tentava, sem sucesso, apoiar o taco na mão e lançá-lo em direção à bola.

É verdade que, depois de muita gozação, o rapaz parou de apoiar o taco na palma da mão virada para cima, em forma de conchinha. Isso não impediu, entretanto, que suas jogadas continuassem toscas e a bola branca parasse de cair sempre na caçapa.

Quando percebeu que seus amigos choravam ao serem sorteados para jogar ao seu lado, desistiu de participar dos campeonatos disputados todas as segundas feiras. Limitou-se a ficar na torcida.

Um dia, porém, sua sorte mudou. Uma garota do Espírito Santo que ele conheceu sem querer, pelo MSN Messenger, resolveu vir a São Paulo para uma manhã regada à farra. Depois de pegá-la no aeroporto, pegá-la (de novo) e deixá-la no aeroporto (de novo), Marquinhos decidiu comer um pão com linguiça com os amigos. A partir daí, achou que aquela quarta-feira só ficaria perfeita caso ele desistisse de vez de trabalhar e, após o almoço, disputasse algumas partidas de sinuca.

Depois desse dia, tornou-se um gênio do esporte boêmio. Abandonou o trabalho, os estudos, o jogo de truco, do qual era craque, e dedicou-se exclusivamente à sinuca. Foi lá no Sapão, o templo do jogo no Brasil, que conquistou a fama e passou a ser chamado pela iguaria que mudou sua vida. Assim, surgiu "Pão com Linguiça", o mito (ver o texto do Costela, publicado em 17 de janeiro de 2006).

Tá lá um corpo estendido no chão por Dr. Peçanha | Apontooooou. Guardou!