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O Patê de Fígado de Ganso

Quinta, 27 de Janeiro de 2005

* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais

Outro dia me contaram que o criador do sanduíche se chamava Conde de Sandwich ou coisa assim. Isso é ridículo. Tão ridículo quanto dizer que o homem que descobriu o Mal de Parkinson se chamava Parkinson e o sujeito que avistou pela primeira vez o cometa Halley se chamava Halley.

Por conta de todas essas balelas que nos chegam aos ouvidos, as pessoas ficam terrivelmente incrédulas. Ninguém acredita, por exemplo, que o chef que criou o patê de fígado de ganso se chamava Olavo Fígado de Ganso, um grande nome da cozinha sueca. Todo mundo confunde as coisas. O patê, que levou o nome do criador, na verdade não é feito de fígado de ganso (que tipo de pessoa comeria uma coisa horrível dessas?), mas sim de uma exótica mistura de filé de merluza, molho de tomate e um aparelho de telefone.

Como toda grande invenção da humanidade, o patê de fígado de ganso foi criado por acaso. Olavo Fígado de Ganso estava tentando fazer um leitão à pururuca de improviso e eram esses os únicos ingredientes que ele tinha à mão. Na verdade, ele também tinha caneloni e um conjunto de cordas de violão - mas ele pretendia usá-los para improvisar um Petit Gateau de sobremesa.

Obviamente, o prezado leitor deve estar intrigado com o fato de ele ter usado um aparelho de telefone como um dos ingredientes de sua receita. Mas é que na época ainda não existiam as linhas de telefone e, portanto, ninguém sabia para que serviam aqueles aparelhos, embora todo mundo concordasse que ficavam bem bonitos sobre as mesinhas de telefone.

Hoje, o patê de fígado de ganso é um grande sucesso. Olavo Fígado de Ganso, no entanto, ficou esquecido para sempre, provavelmente porque o seu Petit Gateau de caneloni com cordas de violão ficou detestável.



De acordo com Daniell Rezende | Comentaise!