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O intelectual e a atriz

Sexta, 8 de Julho de 2005

* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais

Até conhecer Valquíria não tinha me passado a possibildade de esposar uma atriz. Atrizes eram seres distantes, fruto da imaginação coletiva ou de habilidosos maquiadores, operadores de câmeras e profissionais de Photoshop. Eu estava enganado.

Se fosse fria, Valquíria poderia ter sido esculpida de uma peça do mais nobre e perfeito mármore. Lapidada pelos séculos de generosa beleza e suavidade. Mas ela poderia morar em um vulcão - ou ser um, se vulcões exalassem o perfume das rosas, tivesse hálito de anjos e pernas tão longas. Percebi seu calor quando nos conhecemos em um bar. Ela, em um conjugado de educação e respeito, me disse seu nome sorrindo e, só então, meteu a mão por dentro de minhas calças, sussurrando algo que não me recordo. Mas, me excita até hoje a lembrança daquela frase – seja ela qual for.

Em meia hora eu estava dirigindo e apaixonado. Via o amor em cada esquina e, a bela cabeleira lisa de Valquíria entre minhas pernas nuas. Valquíria era urgente. Antes de chegar no motel ela já tinha me deixado totalmente embriagado de amor e desnudo. Fui seu vassalo. Deixei que usurpasse de mim, de minha pele, de minhas saliências, de meus fluídos e secreções. A hábil e quente língua de Valquíria tocou partes que eu desconhecia em minha anatomia. Era como se ela estivesse me aquecido até o derretimento, para então sorver cada mililitro, como se a sua vida - e o resto da humanidade - dependesse disso.

Eu já estava satisfeito antes de entrar naquele quarto. Precisava retribuir, dentro de minhas limitações, a todo o amor que estava recebendo. Era obrigação. Mas Valquíria com os longos dedos em meu peito tinha uma confidência a fazer. Era atriz, sim. Mas atriz de filme pornô. Sorri abraçando seu corpanzil firme e tenaz. Não me importava o que ela fizesse para ganhar a vida. O que me importava era o que eu sentia por ela e o que ela fazia por mim. Então nos beijamos intumescidamente. Eu precisava possuir aquele corpo. Ela respondeu que estava exausta. Havia trabalhado muito. Então, propôs que eu me divertisse com outra coisa, dando tapas em sua volumosa nádega roliça.

Ela, napoleônicamente posicionada, abaixou um pouco o jeans. Não mais que o suficiente para colocar o fio-dental de lado. Meio sem jeito, mas com muita disposição, fui penetrando seu íntimo recanto. Latejante e eufórico, sentia o calor do inferno e o prazer do pecado. Queria entrar todo em seu corpo para que tornássemos uma só pessoa. Enquanto via aquela berba gulosa devorando meu fálus, fui escorregando minhas mãos pelas suas costas, pelos seus seios fartos, pelo seu brinco no umbigo, e fui descendo para o meio de suas pernas. Queria sentir todo o calor de suas viscosidades. Bensutar-me com elas. Chegando lá, invadido de lascividade, estupefato, encontrei um membro ereto. Uma verga muito maior que a minha. Em uma simbiose de espanto, prazer e luxúria, no exato momento em que empunhei com pujança aquele membro viril, entregamo-nos loucamente ao deleite do gozo. Eu e Rubem. A quem passei esposar secretamente.


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