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O destino do mau menino

Quarta, 4 de Janeiro de 2006

* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais

Marquinhos sempre soube que ia para o inferno, mas nunca imaginou que a casa do Tinhoso seria tão ruim assim. Aquele lance vermelho, com pessoas sendo queimadas e chicoteadas, gritos e todas essas coisas ele tiraria de letra. Até porque, em vida, ele sempre curtiu torturar e ser torturado. Por animais, mulheres, torcedores de outros times e coisas do gênero.

Mas enfim, para ele seria fácil suportar as gracinhas conhecidas praticadas pelo Cambalhota. Mas ser confinado a ficar a eternidade toda com a Crisélia era demais. Poxa, justo a Crisélia, aquela inglesa frígida do colégio que se divertia em tomar chá todas as tardes.

Mancada brava do Chifrudo. Todo mundo sabia que Marquinhos gostava mesmo era de uma boa puta. Agora ia fazer o que da vida, com a Crisélia lá, segurando o pinto dele sem mexer as mãos? Como ia dormir ao lado daquela maldita, cuja menor calcinha dava para montar uma barraca junina?

O jeito era bolar um plano maluco e fugir para o céu. Afinal, era melhor ficar sem sexo do que agüentar a Crisélia. Era melhor até virar padre, dizia Marquinhos.

E foi assim que, aproveitando-se de uma bebedeira do Pedrão, a encapetada alma escapuliu lá para cima. Chegando lá, foi recepcionado por uma centena de anjas alvas e loirinhas.

Mas para o desespero de Marquinhos, todas, absolutamente todas, tinham a cara da Crisélia. Foi aí que o rapaz desmaiou e despencou direto para o inferno, mais uma vez.

Enquanto isso, Deus e o Diabo se divertiam brincando de gangorra no playground.


Tá lá um corpo estendido no chão por Dr. Peçanha | balançaram as redes