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Níveis de caloteQuarta, 8 de Fevereiro de 2006* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais Eu costumo ser boa pagadora. Anoto na agenda as datas e valores, e cumpro o dever pontualmente. Nunca precisei de ninguém no meu pé cobrando uma dívida. Até porque, qualquer cobrança me irrita. Tento, de todas as maneiras, me manter longe delas. A ponto de também evitar ficar cobrando de outros aquilo que eles me devem.Acontece que alguns tipos de calote são mais irritantes que outros. Aqueles levados de pessoas desagradáveis, por exemplo, são mais abusivos que os calotes de amigos, mesmo que o valor seja inferior. Me explico com uma situação hipotética. Você marca um almoço em sua casa e convida 5 amigos. Combina com eles que você mesma comprará tudo e a conta será rateada depois. Mantém o bom senso e não gasta os tubos: compra uma massa, uns ingredientes para molhos, algumas garrafas de um vinho razoável, e o saldo final não passa de R$ 20 por pessoa. Mas você não contava com a presença de um 6º convidado, amigo de uma de suas amigas. Meio folgado, já de aparência. Do tipo que vai entrando e abrindo a sua geladeira depois de errar seu nome, e ainda reclama da marca da cerveja, mas tudo bem. Até porque a conta acaba saindo até mais barata que os R$ 20 iniciais, então todo mundo fica quietinho e abraça o intruso como chapa da turma. Fulano come bem. Bebe muito. Fala alto, chama atenção, derruba vinho no sofá e fuma demais. Sai da sua casa alegando que não tem dinheiro na hora, te deposita amanhã. Todos os demais pagaram. Dia seguinte você manda seus dados ao rapaz, que te responde dizendo que não terá como ir ao banco aquele dia pois está cuidando do pai doente. Você se comove e espera. Dois dias depois, fica sabendo que o carinha foi visto na balada. Cobra de novo e ele diz que seu banco está em greve e não tem como sacar o dinheiro. Por fim você desiste e engole seco esta dívida. Engole mais ainda a presença desta pessoinha naquele momento da sua vida. Calote idiota e desnecessário, se você aprendesse a ser mais seletivo no convívio social.
devaneio de:
Sil Curiati | 2! E o cordão dos puxa-saco cada vez aumenta mais!
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