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Não Em Quinze MinutosTerça, 13 de Dezembro de 2005* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais Todo mundo já deve ter reparado como é difícil fazer alguma coisa que preste em português. Poemas, letras de músicas, textos em geral, dos jornalísticos aos grandes romances. Não é qualquer coisa que soa bem em português. Dá prá imaginar alguém cantando: "Eu não consigo, satisfação! Porque eu tento, e eu tento, e eu tento, e eu tento!". Em português não dá. Pensem nos clássicos do rock americano. Traduzindo a maioria das músicas ficam com uma cara de rockinho adolescente meio CPM 22 meio Charlie Brown Jr. Isso não é bom, mesmo. É difícil escrever bem em português. Apesar de minhas investidas no campo literário, eu me considero muito, muito distante de conseguir um bom texto. Não é querer confetes e elogios, mas toda vez que eu termino um texto para este site, por exemplo, me encontro revendo e odiando o mesmo depois de publicado. Provavelmente vai acontecer isto com este. E olha que até agora ainda não cometi nenhum deslize, apesar de "poder estar cometendo" a qualquer momento. Talvez sejam tempos verbais demais, talvez a culpa seja dos advérbios ou então dos adjuntos adnominais, que diferem drasticamente dos complementos adnominais, gerando aí uma certa confusão que talvez algum dia alguém explique de forma convincente. Alguns acham que isso acontece por causa da quantidade de vocábulos que temos. Ledo engano. O inglês, por exemplo, tem quase o dobro de palavras. Enquanto aqui a discussão gira em torno da "entrega em domicílio" ou da "entrega à domicílio", lá já inventaram o delivery. Pronto, uma palavra que já explica tudo. Outro exemplo. Aqui não pega bem falar "a nível de município". O correto é nível municipal. Em outras línguas, latinas ou não, no entanto, é comum acharmos a mesma contrução, como o "a livello di" no italiano, "a nivel de" em espanhol, "au niveau de" em francês e "at... level" em inglês. Além, é claro, de faltar educação básica para uma grande fatia da população, ainda existe uma falsa cultura, um intelectualismo sem fundamentos. Se alguém fala "desapercebido" ou "ansiosidade" aposto que muita gente vai fazer cara feia, apesar dos dois termos estarem corretos. O português é uma língua tão difícil, tão peculiar, que eu, no meio das minhas férias, correndo contra o tempo para escrever alguma coisa, achei que ia criar algo que valhesse a pena em quinze minutos, aproveitando a única passada na frente de um computador em 15 dias. Pobre de mim, deu nisso...
Não dêem muita atenção ao
Tiago Barizon | Uma pitacada
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