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Na Praia

Segunda, 13 de Dezembro de 2004

* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais

Depois de toda a velha introdução, incluindo "olás", "tudo bens" e "o que fazes por aís", conversa vai e vem até que a garota dá a declaração:

- Pois é. Aí descobri que meu pai era gay.
- (sério) É mesmo?! Sei bem como é isso.
- Não sabe não. Foi muito difícil pra mim. E também pra minha mãe.
- (ainda mais sério e demonstrando alteração) Olha, eu vou confessar uma coisa que não costumo falar. Eu tive dois pais.
- Como assim?
- É isso mesmo. Meus pais eram um casal de travestis. Eles me adotaram.
Os amigos do rapaz, assistindo à cena, começam a rir. O próprio, não agüentando, abaixa a cabeça, põe a mão no rosto e ri também. Porém encena o riso como sendo choro. Levanta a cabeça sério novamente. Ela olha condescendente.

- Realmente, isso deve ser muito mais difícil.
- (Chegando mais perto, bem mais perto) Já me acostumei com gozações.
- (Já acariciando o menino e dirigindo-se aos amigos) Não façam assim com ele. O cara tá abrindo a vida dele...
Beijam-se.

A conversa muda radicalmente para todo tipo de outras bobagens. Riem e bebem juntos. Nem mesmo citam novamente a conversa anterior. E fica a dúvida de quem passou o xaveco furado em quem.

Mentex e Costela | 1 comentário