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Medo de quê?

Sábado, 26 de Agosto de 2006

* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais

Os braços começaram a formigar. O coração disparou. Sem domínio dos próprios movimentos, não havia condições de dirigir. Com a cabeça imersa em maus pensamentos, encostou o carro num posto de gasolina. Sentia medo. Mas do quê?

Até encontrar a resposta, muitos dias passaram. E o medo crescia. O ladrão que podia assaltá-lo; o chefe que poderia demiti-lo; o dinheiro que estava curto; o porte físico que já não era o mesmo; a mulher que um dia talvez o deixasse; os anos que passavam.

Após aquela noite em que guiava numa estrada pelo interior paulista e teve de parar o carro num posto, pois chegou a acreditar estar morrendo, decidiu procurar ajuda médica.

Um cardiologista foi a primeira opção, mas não resolveu. O problema era do coração, mas não se relacionava aos batimentos. O medo que sentia e que atacava o peito estava relacionado à rotina. Dia após dia de buscas, cobranças e frustrações. Sentimentos sufocados, angústia e incapacidade de sonhar.

Procurou um psiquiatra e relatou todos os medos. Pelo menos os que lembrou, nos primeiros vinte minutos de consulta, foram expostos. Tudo o que fazia acabava gerando algum tipo de temor.

Ouviu do especialista que essa fobia não era exclusiva a ele, mas uma doença cada vez mais comum. Também conhecida como síndrome do pânico, e que ataca a sociedade em todas esferas. Palpitações no coração, formigamento, paralisação de partes do corpo e sensação de vazio são sintomas comuns. Medo de tudo. Medo da morte. Medo da vida. 
            

vem que é bão com a Rogéria | 3 vieram