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Marquinhos, não! Marcão, porra!
Marquinhos, não! Marcão, porra!
Quarta, 7 de Dezembro de 2005
* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais
- Amor, hoje o pessoal do serviço vai fazer um happy hour. Posso ir? - Tá louca, Margareth?
- Mas qual é o problema? - Problema? Problema? O problema é que começa com essa história de répiau e depois é répiau na cabeça, répiau no chifre. Eu tô ligado. Não pode ir, não.
- Ai, Marquinhos, você é um estúpido machista mesmo, né? - Opa, opa. Olha lá como você fala comigo. Olha lá. Primeiro que não é Marquinhos porra nenhuma. É Marcão. Segundo que é bom você ir baixando a bola senão eu te arranco desse trampo. Tu sabe que eu não gosto de ver mulher minha rebolando de dia por aí.
- Não dá mesmo, né? Com você não dá. Mas você vai pagar ainda, vai ver. Vai ter um filho viado, tenho certeza. - Mas que qué isso, Margareth? Tá maluca? Perdeu a noção do perigo? Você sabe muito bem que filho meu será cabra-macho. E se der zica e virar bambi, antes viado do que corintiano. Mas filho meu será Verdão, tá ouvindo, mulher? Será Verdão, porra.
- Então você vai ter uma filha vadia. Uma quenguinha que vai soltar a tarraqueta para rua inteira. - Mas que palavriado é esse, sua piranha. Bebeu? Ao contrário daquele fresco do seu pai, jamais deixarei filha minha solta por aí, tá sabendo. Minha santinha não sairá de casa antes dos 18, não vai tirar carteira de motorista, não verá televisão e, se não der para segurar o rádio, só vai ouvir estação religiosa. E olha lá.
- Ah, tá bom Marquinhos, tá bom. Vai sonhando. Com essa sua cabeça machista, sua filha tá perdida mesmo. Ou vira puta ou será uma feminista lésbica. - Que puta, que feminista...pirou? Agora... lésbica? É bão também, hein. A casa vai sempre estar cheia de pombinha. Gostei. Chupa, Margareth.
- Ai, seu ignorante. - Ah, agora cala essa boca, vai. Cansei. Traz logo um café e ajoelha aí para fazer um boquete, porque eu já perdi a paciência contigo...
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