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Mais uma religiãoSexta, 30 de Junho de 2006* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais Como alguém que já escreveu por aqui esta semana, eu também estou inventando uma religião. Na verdade, nem nome ela ainda tem. Trata-se de um ecletismo tardio da eterna busca do homem enquanto ser humano pela auto-afirmação e pelas respostas do além. É uma religião bacana, onde mulheres, homens, cachorros e cabras têm direito a um lugar no céu. É só obedecer as regras, que são bem simples: depositar uma grana na conta da religião todo o mês e comer lentilha nas terceiras segundas-feiras de cada mês de outubro. O panteão desta religião tem quatro categorias de deuses, listadas aqui por ordem de importância, de acordo com os seguidores pelos quais são responsáveis: Anões de jardim – são os deuses que abençoam os devedores, os jogadores de jogo-do-bicho, os outros contraventores em geral, os flanelinhas e os atores pornôs. Pingüins de geladeira – esses cuidam dos ébrios, dos sóbrios, dos professores e dos beagles de duas cores. Bruxas – elas protegem os escritores, as bailarinas, os diretores de cinema, os jogadores de bocha e os personagens de cartas de tarô. Éguas aladas – são as responsáveis pelos motoristas de ônibus, jornalistas de tablóide, profissionais de atendimento, prostitutas e magiclicks (sim, o acendedor de fogão). Basicamente, é isso. As reuniões vão acontecer às terças-feiras, das 23 horas até o sol raiar, na minha casa que, como todos sabem, tem um anão de jardim, um pingüim de geladeira, uma violeta e um magiclick. Estão todos convidados. É só trazer uma garrafa de fogo paulista. |