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Mais uma de futebol

Sexta, 15 de Outubro de 2004

* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais

Uma das coisas que mais gosto de ouvir é história de futebol, de preferência de velhinhos do interior, que contam fatos e causos da época em que os times das estações de trem faziam o maior sucesso. É uma delas que eu vou contar agora:

Alfinete era o maior goleiro do mundo, pelo menos para os torcedores do Barra Bonita, time da cidade de igual nome. Recebeu a alcunha pelo seu físico de humildade franciscana, acompanhado de uma cabeça que proporcionalmente não combinava com o corpo.

Alfinete era, além de maior goleiro do mundo, apaixonado por Valquíria, apelidada pela cidade de Valca, devido aos inúmeros e comentados casos que tinha com comerciantes, profissionais liberais, políticos e clérigos da região. Mas, como todo bom cristão, Alfinete era recatado e, por isso, jamais se declarara para Valca, ou melhor, Valquíria.

Um dia, o Barra Bonita foi campeão. Nos pênaltis. (Não sei de quê, pois não consta nenhum título nos registros de nenhuma federação em nome de tal time.) A cidade ficou em festa. E Valca quis prestar seus préstimos ao herói do título. E herói de título decidido nos pênaltis é, em geral, o goleiro. Aproximou-se de Alfinete. Embebedou-o. Fornicou com ele a noite toda.

No dia seguinte, Alfinete decidiu pagar a promessa que fizera um dia a São Judas: no dia em que conquistasse o coração de Valquíria, jamais jogaria futebol.

Resultado: o Barra Bonita nunca mais foi campeão, nem teve o maior goleiro do mundo. E Alfinete nunca mais se deitou com Valquíria, que decidiu continuar dando para o padre, o prefeito, o padeiro e outras importantes personalidades.

PS: Isso tem uma cara de crônica do Torero...


por Kleber Carrilho | Comentários