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Liberdade de expressãoQuarta, 1 de Novembro de 2006* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais Não existe esporte mais sincero, mais admirável, que a luta livre.A começar pela liberdade, já colocada como condição de sua prática, no próprio nome. Esporte tem que libertar. Se não, pelo menos causar a sensação de. Sabe aquela coisa catártica das novelas da Globo, aquela reação provocada na sua faxineira pelo fato de José Mayer agarrar uma atriz qualquer e dizer, com cara de canastrão e um acento circunflexo entre as sobrancelhas, que ele não pode queimar sua reputação deixando de beijá-la? Aquele êxtase de quem vê um terceiro (uma terceira, no caso) realizando seu sonho mais íntimo? Pois a luta livre tem este poder também, mas para descarregar outro sentimento humano praticamente incontrolável: a raiva. Todo mundo já se imaginou dando umas belas bordoadas em um chefe, ou num colega de trabalho arrogante. Pulando por cima dele, estrangulando o pescoço e batendo com sua cabeça no chão enquanto urra um sonoro "aaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhh"... Virando seu braço para trás para ouví-lo berrar e socando a boca do seu estômago até que ele cale a outra boca, sem ar... Ou mesmo abrindo sua boca como o Didi Mocó fazia nOs Trapalhões quando queria cometer suicídio, mas levando a sério o movimento, a ponto de deslocar seu maxilar. Dobrando seu joelho para a frente e virando o pé para trás, enfiando os dedos no meio da cabeleirapara o puxão ser mais dolorido, fincando as unhas nos braços gordos e flácidos... Quem nunca se viu dando uma cabeçada na cara-de-pau do idiota que te tratou mal, ou pulando como Bruce Lee e enfiando os pés no peito do fulando causando aquele ruído surdo de quem sentiu o pulmão se esmigalhar? Tá certo, a luta livre deve ter regras contra muitos destes exemplos clássicos de raiva contida que citei aqui. Mas a minha, neste momento, seria esta. Visceral. Às vezes a vontade de lutar é tanta que até serviria o ambiente-fetiche de gel, alface e sei-lá-mais-o-quê como cenário. E por falar em vísceras, já mencionei como conseguir ver algumas?
devaneio de:
Sil Curiati | Querendo agradar
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