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Jus fudendiQuinta, 6 de Janeiro de 2005* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais Eu bem que falei para Suzana que este ano não queria vir na merda do reveillon na cobertura do Almeidinha. Eu falei: "Amor, vamos pra Campos, só nós dois!", mas não! É: "ou vamos ao Almeidinha, ou eu vou sozinha!". Esta filha da puta, tem que me trazer de arrasto para lamber as bolas do chefe dela!?Eu mereço mesmo! Quem mandou ser um escritor fudido, mau pago e sustentado pela patroa? Eu mereço ficar escutando o Almeidinha, este puto, jogando na minha cara a minha decadência. "Como está a tiragem do teu último livro... como é mesmo o nome dele?". Careca-broxa, louco pra comer minha mulher, mas não consegue. Deu até cargo de diretora não-sei-das-quantas. "Pela sua capacidade e visão", pura mentira! É pelos peitos dela, que eu sei! Todo mundo sabe! Olha lá o safado, estourando aquela merda de champanhe francesa. Acha que ninguém sabe que conseguiu comprar, por preço de Cereser, de um cara da Receita que lhe deve uns favores. Todo o ano a mesma merda. Os mesmos caras-de-cú, puxando o saco do careca-charlatão-endinheirado. Cobertura em Copa e Jaguar na garagem, foda-se! Falta dez pra virar. Já, já, ele entra pela sala gritando "Suzaninha, meu amor, vem! Guardei um lugar pra você na sacada, o melhor! E já vai começar os fogos, hein!". Ó! Não falei? Pilantra safado. E lá vai minha mulher, com o rabinho entre as pernas gostosas, ficar do ladinho do chefe. Esse anão, só não mete a mão por entre o corte do vestido dela, por que ela não deixa. Pelo menos, não na minha frente! Falta quatro! Já está na hora. Ah! Vanessa, pontual como sempre! Bem, este foi o meu sinal. A Vanessa? é aquela belezinha de rosa... Isso mesmo, a filha do Almeidinha. 20 anos. Todo reveillon é assim, quinze minutos de fogos e de banheiros vazios, ou quase! Vou lá fazer com ela o que o pai dela é louco pra fazer com minha mulher. Aquele puto do Almeidinha!
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