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Jesús e MariaSexta, 3 de Junho de 2005* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais Maria Aparecida de Oliveira morava numa pacata cidade do interior de Goiás, conhecida pela produção de bordados e pela exportação de mão-de-obra feminina para a Europa.Quando ela tinha quatorze anos, sua irmã, Júlia Aparecida, foi tentar a vida num estabelecimento de tolerância localizado na Espanha, entre Madri e Toledo. Disse que mandaria buscá-la quando fizesse dezoito anos. Afinal, não ficava bem uma menina menor trabalhar em casas desse gênero. Jesús Villaverde nasceu em Porto Rico. Aos doze anos de idade, seu pai morreu e a mãe logo se casou com o pastor da Assembléia de Deus local. Como a comunidade não gostou nada de um casamento tão rápido, decidiram se mudar para São Paulo, onde o pastor disse que Deus o tinha chamado para uma missão. Aqui chegando, trocaram a Assembléia de Deus pela Igreja Universal. Jesús então se apegou aos dogmas macedistas e se revelou um grande obreiro. Tudo levava a crer que logo se tornaria pastor, bispo e essas coisas todas. Tudo aconteceu como previsto: Maria Aparecida foi convidada pela irmã para prestar serviços na Espanha e, aos vinte e poucos anos, Jesús se tornou um pastor universal de grande destaque, motivo pelo qual foi convidado para comandar uma igreja no exterior. O que não estava previsto era que os destinos dos dois se cruzariam: conheceram-se no vôo da Ibéria para Madri. Sentaram-se lado a lado. Depois de mais de dez horas de viagem, estavam apaixonados, jurando amor eterno. Ela desistiu do lupanar, da companhia da irmã e de mandar dinheiro para os pais em Goiás. Ele desistiu da carreira pastoral na Universal, da igreja que ia assumir e de que a fornicação era pecado. Desceram em Madri e foram tentar a vida de forma honesta. Não conseguiram. Hoje, ela é uma das profissionais de alcova mais requisitadas de Alicante, enquanto ele fundou uma nova igreja de muito sucesso, da qual é bispo, pastor e tesoureiro. PS: Os nomes dos personagens não são reais, mas são plagiados.
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Kleber Carrilho | Comentários
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