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Inverno, às vezes, tem 13 letras

Quarta, 5 de Julho de 2006

* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais

Inverno lembra frio, tristeza, coisas cinzas e sem graça. Por isso, talvez, este inverno de 2006 tem sido para mim o mais tenebroso de todos os tempos. Graças, claro, ao maldito Parreira, seu comparsa Zagallo e o monte de pernetas que foram à Copa representar (pfff) o Brasil, tipo o Seu Roberto Carlos e o Seu Cafu.

Como dei um pulo na Alemanha, troquei o frio do Sul pelo forte calor que fazia lá em cima. E tudo corria bem quentinho (inclusive o meu pé) até as oitavas-de-final, quando fiquei com saudades da nossa terrinha e voltei.

Foi então que um tal de Zidane pintou na parada feito uma ventania e jogou um balde de água fria, mas bem geladinha mesmo, na gente. Finalmente o inverno chegara, e mais fechado do que nunca.

Ê Seu Parreira, hein. E agora, me diz, o que é que eu vou dizer lá em casa? Que “Parreira, você é um belo filho da puta” tem 13 letras? Ou que é “Zagallo, seu velho cusão” é que tem 13 letras.

E tem mesmo, pode contar. Assim como as frases “Roberto Carlos, porque você não enfia a meia no cu” e “Cafu, se aposenta, meu filho, e leva esse bando de pernas de pau juntos” também têm 13 letras. Pode contar aí para você ver.

Bom, hoje pelo menos tem o “Al, Al, Al, Felipão é Genial”, que, felizmente, tem mais de 13 letras. E ele é o único que pode aquecer um pouquinho o triste inverno que debandou por aqui nesses dias. Espero só que ele não fique com saudades de sua gélida Rio Grande do Sul e resolva voltar mais cedo. Mas acho que não.

Por isso, vai Felipão, bota fogo nessa porra aí, meu filho. Estou com você. Aliás, estamos com você. E carcamanada, pode esperar, porque a sua hora vai chegar. Vai Felipão, vai Felipão.


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