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Introdução masculinaSexta, 20 de Outubro de 2006* Texto publicado originalmente na seção Pacientes terminais A primeira vez de uma mulher é um acontecimento prestigiado e observado com atenção. O cenário é mais ou menos assim: a garota com um pouco de medo de dor e da reação social, mas bem curiosa; as amigas incentivam e passam informações básicas; a mãe sabe o que está para acontecer e fica apreensiva; os irmãos fecham os olhos para o que não querem ver; os pretendentes tentam acelerar o processo e o pai se esforça para retardar ao máximo.Um verdadeiro batalhão acaba envolvido. Só a energia dissipada por cada personagem que participa já seria motivo suficiente para que a primeira vez da mulher fosse especial. Tudo é planejado por uma legião, mesmo que com objetivos distintos. Há mulheres que se incomodam com o excesso de interferência nesse assunto. Afinal, a decisão da hora certa deve ser dela. Entretanto, a escassez de palpites nessa área também pode ser maléfica. Estou me referindo à primeira vez do homem. Ao contrário delas, eles embarcam na experiência desinformados e sozinhos. Ou melhor, antes fosse sozinhos. A expectativa de mandar bem e o receio de broxar na primeira tentativa fazem do pinto um companheiro temido e amado ao mesmo tempo. Ele ganha personalidade própria. E somente os dois é que vão encarar a empreitada. Ninguém mais está interessado. Até algum tempo atrás, dizem que a cultura era diferente. Os pais levavam os filhos até um centro de lazer masculino e introduziam o menino num novo mundo. Críticas não faltam a esse antigo modelo e muitas delas são bem fundamentadas. O garoto era pressionado e não tinha como escolher uma iniciação mais romântica. Além disso, a conquista da mulher dependia exclusivamente do dinheiro. Outro grave problema é que, nesses locais, a possibilidade de contrair uma doença sexualmente transmissível é maior. E na geração aids a primeira vez na zona deixou de ser hábito corriqueiro. Tudo bem, esse encaminhamento masculino estava longe do ideal. Mas por outro lado havia um mínimo de cumplicidade entre os homens com relação ao assunto. Hoje em dia, não é raro o rapaz ter a primeira oportunidade sem um mínimo de conhecimento do que fazer. Por natureza, o homem é mais fechado do que as mulheres. E quando se trata de um assunto tabu ele se tranca ainda mais. Daí, apressado para não ficar com fama de veado na turma, o cara sai à caça despreparado. Além da insegurança que isso pode gerar, o risco dele não ter preservativo na “hora h” ou de não saber utilizá-lo corretamente aumenta bastante. Fora que, ao se deparar com o avião à sua frente, o coitado não terá a mínima noção de como começar o embarque. Depois, haja encanação, desencontros, vergonha e tempo perdido. Assim como a mulher, a primeira vez do homem pode não ser um mar de rosas. A grande diferença é que após o momento a garota irá descrever cada detalhe acontecido para uma porção de amigas; enquanto ele terá apenas dois comentários padrões para fazer aos amigos, dependendo da situação. O primeiro: eu sou foda. O segundo: não é da sua conta, vai tomar no cu. Não sou muito adepto de dar conselhos para ninguém. Porém, como nesse assunto sou da opinião de que falta companheirismo entre a rapaziada, aí vai um singelo pitaco para a primeira vez dos homens. Relaxa e goza, caso tudo dê certo. Ou relaxe e durma, amanhã será sempre um novo dia. |